Marcadas Para Viver -

    Joao Pimentel

    Verso Brasil
    2018
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788562767050
    Português Brasileiro

    O Carnaval é uma festa pródiga em cunhar expressões que definem seus dias de alegria e folia. "Enrolar a bandeira", no entanto, resume aquele raro momento em que um pouco da chama da festa se apaga – é quando uma escola de samba deixa de existir, tal qual uma supernova, que após brilhar intensamente vê seu brilho se perder. Aqui são contadas as histórias de agremiações que lutam para não enrolar a bandeira, como aconteceu com a Tupy de Braz de Pina. Conhecemos um pouco sobre a Vizinha Faladeira e a Em Cima da Hora, ainda mobilizadas para brincar o Carnaval, bem como a dramática saga da Unidos do Jacarezinho, que luta, com recursos minguados, contra as adversidades e o tráfico que ameaça sua comunidade, além da Unidos de Lucas, que no enclave entre facções criminosas rivais ainda consegue fazer uma bonita festa. Marcadas para viver: a luta de cinco escolas de samba, da Coleção Cadernos de Samba, conta a história de tradicionais agremiações do Rio de Janeiro, monumentos de outros carnavais, que hoje ainda buscam seu lugar ao sol entre as estrelas máximas do espetáculo. João Pimentel é jornalista e já cobriu eventos esportivos e desfiles de Carnaval do Grupo Especial. Em 2009, foi jurado do Estandarte de Ouro. Publicou Blocos: uma história informal do Carnaval de rua e Jards Macalé. Beth Carvalho, Monarco e outros bambas já gravaram músicas suas. É assessor de Relações Institucionais do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.

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    Santos08/01/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    E se...

    O livro "Marcadas para viver: a luta de cinco escolas" (coleção Cadernos de Samba), de João Pimentel, trata da história de cinco agremiações do carnaval carioca, as quais, cada uma com sua particularidade, tiveram seu lugara ao sol, mas, por uma série de razões, foram perdendo esse dito lugar. As cinco escolas de que trata o livro são: Unidos do Jacarezinho, Unidos de Lucas, Em Cima da Hora, Vizinha Faladeira e Tupy de Braz de Pina (a única que enrolou a bandeira, isto é, encerrou suas atividades). Todas as cinco histórias apresentam muitas curiosidades interessantes e, em dado momento, fazem com que nos perguntemos "E se...?", ao imaginar como as coisas poderiam ser diferentes – para as cinco escolas e para o carnaval carioca – se os rumos tivessem sido outros. Isso, logicamente, é algo que apenas podemos imaginar. De todas as cinco histórias, a que mais me impressionou foi a da Vizinha Faladeira, desde a explicação do motivo de curioso nome até saber com mais detalhes como a agremiação deu adeus ao carnaval ainda na década de 40 (retornando anos mais tarde). Além da ênfase nas cinco histórias, acredito que um ponto muito interessante e enriquecedor do livro é a discussão sobre a quantidade de escolas de samba existentes (a discussão feita em 2012 segue bastante atual) e as disparidades existentes entre os grupos, o que, na maioria das vezes faz com que escolas menores não consigam sobreviver. Por fim, é preciso ressaltar o quão importante foi o trabalho de Pimentel, pois a história das instituições carnavalescas reconstitui também a história do Rio de Janeiro (cidade e estado) e, por que não, também do Brasil. Assim sendo, esse resgate é muito bem-vindo.

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