Dampyr - Volume 1 (Dampyr) -

    Dotti

    Editora 85
    2018
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Dampyr é uma série da Sergio Bonelli Editore que mistura horror, suspense e aventura policial. A trama explora o mundo dos Mestres da Noite, superpredadores que se alimentam de seres humanos. Porém, o nascimento de Harlan Draka, filho de uma humana com uma dessas criaturas, gera o único inimigo natural de tais ameaças: um Dampyr. Como aliados, Draka conta com Kurjak, um soldado sem pátria que desistiu das guerras injustas para lutar pela salvação da humanidade; e Tesla, a única vampira a aliar-se aos humanos contra a sua raça.

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    Paulo Vinicius11/08/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Faziam décadas que eu não lia um fumetti. Lembro-me que a última vez que peguei uma edição de um quadrinho italiano foi uma edição de Zagor publicada na época de 1990. A gente se esquece da qualidade desse material e de o quanto eles se preocupam com a narrativa. Eu tinha adquirido vários fumettis nos últimos tempos pensando em retomar minha paixão pelo gênero de hqs: Dampyr, Diabolik, Morgan Lost, Mágico Vento. E na hora de pegar algum para ler... qual pegar? Então, enfim, me decidi pelo fenomenal Mauro Boselli e uma criação que dá sua própria interpretação do mito dos vampiros: Dampyr. A narrativa se passa em um cenário de guerra. Um grupo de soldados está prestes a invadir uma cidade e encontra apenas uma velha cercada por vários corpos mortos das maneiras mais cruéis. O grupo busca investigar o que aconteceu e é atacado por estranhas criaturas que parecem ser invulneráveis a balas. Um dos soldados alega ter conhecido alguém que poderia dar um jeito nessas criaturas: ele seria o dampyr, um homem que teria surgido de uma mulher e um vampiro. Ele seria o predador perfeito contra os vampiros. É então que aparece Harlan Draka, o dampyr. Só que ele não sabe o que ele é e qual é a extensão dos seus poderes. Mas, Gorka, o mestre da noite que é o líder dos não-mortos que afligem a cidade, se aproxima e seus vastos poderes vampíricos podem destruir a todos. Temos artistas diferentes para cada história da edição. A primeira história ocupa duas edições e tem os desenhos do Majo; Fantasmas de Areia tem arte do Luca Rossi; e Noturno Vermelho tem arte do Dotti. Por essa razão temos um pouco de diferença entre os três artistas, apesar de todos eles serem artistas de primeira linha. Artisticamente falando eu gostei mais de Fantasmas de Areia porque exigiu mais do Rossi ao lidar com os detalhes presentes em todo o cenário. O parque de diversões assombrado ficou incrível, principalmente nos detalhes dos brinquedos, da casa de espelhos e das aberrações. Mas, o que melhor captou o espírito de terror que o Boselli quis implementar em Dampyr foi o Majo. Talvez porque ele tenha tido mais páginas para construir ambientação e colocar o design de personagens. Mas, eu preciso usar um parágrafo para falar do Dotti. O que eu me lembrava de quadrinhos da Bonelli eram as cenas incríveis de tiroteio dos quadrinhos do Tex. Aquelas cenas que pareciam saídas das telas de um cinema e que estavam ali apenas para nós. Dotti cria algumas cenas de perseguição e tiroteio que resgataram esse amor que eu tinha por fumetti. É inacreditável como a narrativa passa voando, e como os detalhes são jogados na sua cara. Seja a movimentação dos personagens, a sequência daquilo que está acontecendo, e até a preocupação com o design dos personagens e os ferimentos que eles carregam quando envolvidos nesse caos todo. Sério... a cena do cemitério é muito boa. Majo fez umas sequências muito boas na primeira narrativa apresentando o combate dos soldados com as criaturas das trevas... mas, nada supera as duas cenas de ação da última história. Admito que não gostei do Harlan de cara. As duas primeiras histórias não me ajudaram muito a curtir o personagem. Achei toda a situação em que ele aparece meio forçada e ele surge quase como a panaceia para os problemas de Kurjak e seus soldados. Mas, aos poucos a narrativa consistente do Boselli vai me aprofundando no personagem e os questionamentos que Maurizio Colombo coloca na segunda história fazem o personagem crescer muito. Ele precisa entender quem ele é e qual é o lugar do mundo. E existe algo obscuro existindo dentro dele que ele não sabe definir se é um instinto ou se é uma outra existência. Por outro lado percebemos no personagem uma vontade de ajudar as pessoas contra essas criaturas. Isso se coloca na segunda e na terceira história que, apesar de existir um segundo objetivo por trás, Harlan acaba sendo altruísta. Gostei do fato de Boselli e Colombo usarem ambientações que não são lá tão comuns. Apesar de ele não dar uma indicação de que seja, o primeiro lugar parece ser um lugar afastado em disputa no Leste europeu, depois temos uma cidade costeira na Inglaterra e, por fim, Moscou. E o legal é que gera algumas discussões como a banalidade das guerras civis no leste europeu que se tornam quase que uma indústria voltada para a venda de armas e pessoas. O quanto o Estado não chega até esses locais e como pessoas podem morrer por motivos banais. Usando uma cena (não é um spoiler, são quatro quadros em uma página), um sniper brinca de atirar em pessoas em um mercado. Por nada. Só pelo prazer de matar. Kurjak usa uma frase que resume toda a situação; basta alguém estar na cidade para ser morto. Outro tema usado é o dos vídeos considerados red ou underground na internet. Uma das pessoas perseguidas por Harlan gravava cenas em que pessoas eram dilaceradas por vampiros. Homens ricos pagavam uma fortuna para ter acesso a esses vídeos. Há todo um mercado financiado por essas criaturas e o leitor se pergunta quem é a criatura mais bestial, se é o vampiro usando sua força primal e destruindo pessoas ou aqueles que se excitam vendo esse tipo de mercadoria. Como podemos ver, Dampyr consegue ser bem atual ao mesmo tempo em que emprega a força do terror pulp, criando uma própria interpretação sobre a criatura e nos apresentando um cenário rico. Vale demais a pena. E parabéns para a Editora 85 pelo resgate do personagem.

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