Literatura meio antropologia
Leguin escreve este livro como relatos de conflitos entre terráqueos e moradores de um planeta distante. Contudo, esses moradores parecem seres humanos. Assim, como é comum em obras de sci-fi, o encontro com o estranho se torna um encontra consigo mesmo. E nisso a autora tem maestria. Na introdução, ela menciona que não queria fazer uma obra moralista. Em vez disso, acabou fazendo um relato quase antropológico sobre a guerra, sobre modos de vida e sobre a violência de nossa sociedade. Não é um simples conto moral. É um chamado para refletir sobre essa condição. Com isso, acredito que de fato o que mais me interessou no livro foi a genialidade da autora em gerar circunstâncias para essas reflexões. O enredo em si funciona muito bem, mas não é exatamente o foco.

