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    Terra e Paz - Antologia Poética

    Yehuda Amichai

    Bazar do Tempo
    2018
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788569924456
    Português Brasileiro
    4.2
    29 avaliações
    Leram45Lendo1Querem27Relendo0Abandonos0Resenhas7
    Favoritos6Desejados27Avaliaram29

    Cultuado por grandes poetas e pensadores em todo o mundo, Yehuda Amichai (1924-2000) construiu uma das mais ricas e diversificadas produções poéticas de seu tempo. Nela, a cultura e tradição judaicas ganham uma leitura renovada, e dividem espaço com os temas de intimidade amorosa, da vida em Israel, da guerra e da paz. Amichai, nascido na Alemanha em uma família religiosa judaica e que chegou à Palestina em 1935, teve atuação fundamental na recuperação e modernização do hebraico, exercendo o uso irrestrito do idioma e fazendo dele caminho de expressão de toda a sua obra – plena de sutilezas, ironia e erudição. É a partir de Jerusalém, sua cidade-mundo, que o poeta revê a própria história, matéria viva de sua escrita: integrou o exército britânico na Segunda Guerra Mundial, lutou na Guerra da Independência – deflagrada pelos países árabes após a fundação do Estado judaico em 1948 –, na Guerra do Sinai em 1956, e na Guerra do Yom Kipur em 1973, ao mesmo tempo em que se tornava professor, atividade exercida durante toda a sua vida profissional, ao lado da literatura. As experiências de conflitos e perdas, as memórias do nazismo e o sentido de impermanência da vida em Israel permeiam a sua obra – pouco mais de 20 volumes, entre poesia e prosa. Mas como ele mesmo se definia, foi um verdadeiro “fanático da paz”; e é essa evocação pacífica que atravessa a sua produção poética. “(...) eu não estive entre todos aqueles mas o fogo e a fumaça/ficaram em mim, e as colunas de fogo e fumaça mostram/o caminho noite e dia, restou em mim a busca insana/por uma saída de emergência e por lugares macios,/pela nudez da terra para me abrigar dentro da fragilidade/para dentro da esperança, restou em mim o desejo da busca/de água fresca falando em voz baixa para a rocha e batendo loucamente.” Yehuda Amichai não deixa esquecer que escreveu num dos umbigos do planeta, partilhando conosco o seu propósito de refazer o mundo a partir de sua casa e lançando mão de acento próprio na busca do universal. Nele, convivem o diálogo com passado bíblico, as vivências cotidianas e amorosas, a erudição transmitida de forma coloquial, a mistura entre o humano e o divino, essa síntese de humanidade contemporânea que ele busca em cada poema.

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    Breno França picture
    Breno França10/04/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Poemas ruminantes

    Ao justapor o sentimento, a vida e as dinâmicas típicos da paixão, mas também da memória - esse signo do passado e, também, da conservação -, Amichai nos convida a imaginar um museu vivo, tal qual o coração o qual um dia será sinônimo de lembrança. Além disso, cabe dizer que a poesia de Yehuda chega até nós para que possamos conhecer um poeta indispensável e uma obra que impõe uma reflexão sobre o trabalho infinito da memória e dos sentimentos humanso, bem como de formação próprio eu. Deixo abaixo o poema que, dentre tantos, permaneceu ruminante, desses que se perpetuam sólidos e densos na vida: "O homem não tem tempo" O homem não tem tempo para tudo na vida. Ele não tem uma época para cada um de seus desejos. O Eclesiastes não está certo. O homem precisa odiar e amar ao mesmo tempo, com os mesmos olhos chorar e com os mesmos olhos rir, com a mesma mão atirar pedras e com a mesma mão recolhê-las, fazer amor na guerra e guerra no amor. Odiar e perdoar, lembrar e esquecer, organizar e confundir, comer e digerir o que a história faz ao longo de muitos e muitos anos. O homem na vida não tem tempo. Quando ele perde ele procura, quando ele acha ele esquece, quando ele esquece ele ama e quando ele ama começa a esquecer. a alma dele é preparada, é bastante profissional, somente o corpo é sempre amador. Tenta e erra, não aprende, confunde-se bêbado, cego nos prazeres e nas dores. A morte dos figos é no outono, encarquilhados, cheios de si e doces, as folhas secam sobre a terra, os galhos nus já apontam o lugar onde há tempo para tudo.

    14 curtidas

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    4.2 / 29
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    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Yehuda Otto Amichai (Ludwig Pfeuffer) profile picture

    Yehuda Otto Amichai (Ludwig Pfeuffer)

    Yehuda Amichai era um poeta israelense. Amichai é considerado por muitos, tanto em Israel como internacionalmente, como o maior poeta moderno de Israel. Ele também foi um dos primeiros a escrever em hebraico coloquial. Nascido na Alemanha, Amichai e sua família judia ortodoxa imigraram para a Palestina em 1936. Durante a Segunda Guerra Mundial ele serviu no exército britânico, mas depois lutou contra os britânicos como um guerrilheiro antes da formação de Israel; Ele também esteve envolvido nos conflitos árabes-israelenses de 1956 e 1973. Amichai frequentou a Universidade Hebraica de Jerusalém e lecionou por vários anos em escolas secundárias. A poesia de Amichai reflete seu compromisso total com o estado de Israel, e de sua primeira coleção, Akhshav u-ve-yamim aḥerim (1955; "Agora e em outros dias"), ele empregou imagens bíblicas e história judaica. Ele também comparou os tempos modernos com eras antigas e heróicas e procurou expandir a linguagem bíblica para abranger os fenômenos contemporâneos. Na década de 1970, ele introduziu a sexualidade como um assunto em seus poemas. Com Amen (1977), ele conquistou um público mais amplo através da tradução de seus poemas para o inglês por Ted Hughes. Influenciado por poetas americanos e ingleses modernos, incluindo W.H. Auden, Amichai foi conhecido por seu uso lírico da linguagem cotidiana e pela simplicidade de seu trabalho. A coletânea em inglês The Selected Poetry of Yehuda Amichai (1986) contém seleções de suas muitas publicações em hebraico. Além de contos e peças de teatro, Amichai também escreveu romances, dos quais o mais conhecido é Lo me-achshav, mi mi kan (1963; Not of This Time, Not of This Place), sobre a busca pela identidade de um judeu imigrante em Israel. Gam ha-ʾegrof hayah paʿam yad petuḥah (1989; Even a Fist Was Once an Open Palm with Fingers) é uma seleção de sua poesia na tradução. Open Closed Open (2000) continuou a explorar a experiência israelense. Recebeu o Prêmio Shlonsky de 1957, o Prêmio Brenner de 1969, o Prêmio Bialik de 1976 e o Prêmio Israel de 1982. Ganhou também prémios internacionais de poesia: 1994 - Prémio Malraux: Feira Internacional do Livro (França), 1995 - Prémio Grinalda de Ouro da Macedónia: Festival Internacional de Poesia e muito mais.

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    Yehuda Otto Amichai (Ludwig Pfeuffer)