Esta obra — que alia um halo de fantasmagoria entre lírica e inquietante a uma precisão quase "maníaca" na descrição dos pormenores, não fora Jünger um grande observador e coleccionador de insectos — deverá tomar-se pelo que efectivamente é: um belo e lancinante testemunho de fé nos valores que constituíram o esteio milenário da civilização humana, então como hoje ameaçada de ruína iminente. O texto jüngeriano, indubitavelmente uma das maiores criações literárias, estéticas e espirituais deste século, transcende toda e qualquer "instrumentalidade" epocal. Os símbolos e as forças que nele se chocam são de sempre, habitam desde que o mundo é mundo o coração e a inteligência dos homens, o que confere uma exemplaridade singular ao enredado conflito a cujo desenrolar assistimos, como quem lesse uma banda desenhada simultaneamente fantástica e de uma cruenta realidade. Mas, quando o autor se despede de nós, mais do que a recordação das catástrofes e da maldade humana, o sentimento que nos domina é o de que algo de salvífico se acabará por impor e triunfar da avassaladora e multímoda presença do Mal. (do Prefácio de Rafael Gomes Filipe)
Sobre as Falésias de Mármore -
Ernst Jünger
Vega
1988
164 páginas
5h 28m
ISBN-10: 9726993717
Português
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