Uma crítica social muito bem fundamentada e diluída de forma adocicada
Thomas More constrói uma ilha perfeita para revelar as imperfeições do mundo real. O livro não é apenas um sonho político, mas um espelho cruel: enquanto descreve igualdade, razão e justiça, denuncia a fome, a ganância e a violência escondidas sob a civilização. Há algo profundamente filosófico em Utopia: ela nos obriga a perguntar se o ser humano deseja mesmo um mundo melhor ou apenas um mundo onde continue podendo dominar. No fim, a obra permanece viva porque entende que toda sociedade perfeita nasce, inevitavelmente, das ruínas da imperfeição humana. O livro é uma ferramenta introdutória para o socialismo utópico de Robert Owen, Saint-Simon e Charles Fourier, que se tornando uma base intelectualizada do ideal igualitário. As percepções ideológicas que serviram de motivação para base imaginária que compõem a criação desta história clássica, se desenvolvem no entendimento da normalização da desigualdade aplicada no feudalismo, onde, os senhores tinham um grande domínio territorial e para os servos, só restava a subsistência. Uma leitura densa e profunda, que irá auxiliar a compor os estudos aprofundados ao olhar social do século VI e sua atual influência, através um olhar fictício da existência de uma república imaginária governada pela razão e pretende contrastar com a realidade política do período. Destaco a discussão na primeira parte do livro sobre a pena de morte que é uma oportunidade de um debate profundo sobre o papel da sociedade que pune com extrema violência crimes muitas vezes causados pela própria desigualdade social. Thomas More questiona a lógica de executar ladrões enquanto o Estado ignora a fome, o desemprego e a miséria que empurram pessoas ao crime. A obra sugere que uma sociedade mais justa previne delitos melhor do que castigos brutais. Desacreditando até passagens bíblica, " não matarás" atribuindo o poder absoluto ao homem.

