Infelizmente, essa fantástica saga em quatro volumes não foi lançada no Brasil (e, até onde pesquisei, nem em Portugal). Uma pena, pois trata-se de uma pequena obra-prima - bem, pelo menos esse primeiro volume. A saga foi escrita nos anos 50/60 pelo sueco Vilhelm Moberg, um escritor bastante popular e de vendagens absurdas em seu país mas, por causa de ideologias políticas, execrado pela intelectualidade de sua época. É uma daquelas obras que praticamente todo mundo no país conhece, nem que seja por causa dos bancos escolares.
Hoje um exemplo de desenvolvimento e excelentes condições sociais, em meados do século XIX a Suécia vivia uma crise sem precedentes. As condições adversas do clima, um sistema social e econômico opressivo e intolerância religiosa foram alguns dos fatores que levaram quase 1/4 da população do país a emigrar, especialmente para a meca da época, os Estados Unidos, que viviam o auge da expansão territorial, com o desbravamento de novos territórios e a marcha para o Oeste. As poucas informações que chegavam aos iletrados camponeses suecos era de uma terra promissora, com total liberdade social e religiosa, onde qualquer pessoa com vontade de trabalhar faria riqueza em pouco tempo.
Nesse primeiro volume, acompanhamos a história de algumas dessas famílias que, por diversos motivos, abandonaram sua terra natal em busca de melhores condições de vida na América: Karl-Oskar, sua esposa Kristina, seus três filhos e o irmão Robert, vítimas de dívidas cada vez mais crescentes devido ao clima, além do injusto sistema tributário e civil, baseado na servidão; um líder religioso e sua família, que procuram na nova terra a possibilidade de exercer seu culto de forma mais livre; a ex-prostituta Ulrika e sua filha adolescente, vítimas de preconceito e perseguição; o fazendeiro Jonas-Peter, preso e oprimido por um casamento infeliz são os principais personagens.
O livro é dividido em duas partes: na primeira acompanhamos a história de cada família, suas lutas e dúvidas, e a motivação para cada um enfrentar essa longa e perigosa viagem, enquanto na segunda vemos a viagem em si, onde todas essas pessoas, todas elas de pés firmes na terra, conhecerão (de forma nem sempre agradável) a vida no mar.
Um livro impecavelmente narrado, leitura deliciosa, cativante, realmente uma pena não estar disponível em nosso idioma, mas, para quem não tem problemas com leitura em inglês, é uma leitura recomendadíssima!