Cronopios and Famas -

    Julio Cortázar

    New Directions
    1999
    162 páginas
    5h 24m
    ISBN-13: 9780811214025

    Long out of print and now reissued in paperback, Cronopios and Famas is one of the best-loved books by perhaps the greatest of Latin American novelists (author of Hopscotch and Blow Up and Other Stories). “The Instruction Manual,” the first chapter, is an absurd assortment of tasks and items dissected in an instruction-manual format. “Unusual Occupations,” the second chapter, describes the obsessions and predilections of the narrator’s family, including the lodging of a tiger — just one tiger — “for the sole purpose of seeing the mechanism at work in all its complexity.” Finally, the “Cronopios and Famas” section delightfully presents, in the words of Carlos Fuentes, “those enemies of pomposity, academic rigor mortis and cardboard celebrity — a hand of literary Marx Brothers.” As the Saturday Review remarked: “Each page of Cronopios and Famas sparkles with vivid satire that goes to the heart of human character and, in the best pieces, to the essence of the human condition.

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    Arsenio Meira03/08/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Cortázar e o universo caóticos dos sofás, formigas, cronópios e famas

    Numa entrevista à Paris Review, Hemingway disse que o bom escritor precisa, sobretudo, de um detetor de porcarias embutido e à prova de choque. Queria dizer que o maior defeito de um escritor é a ingenuidade, a falta de senso crítico para filtrar tolices e inocências. O pecado da ingenuidade pode acometer, no entanto, alguns dos melhores escritores. Deste mal Cortázar jamais padeceu, penso. O eco acachapante que advém da obra de Julio Cortázar está no contraste entre o tom neutro, factual do narrador e o absurdo da situação que vive. Ponha-se neste caldo mágico a delicadeza do escritor argentino, que neste instigante "Histórias de cronópios e de famas" fica mais evidente. Como se não bastassem tais atributos, Cortázar mescla humor, ironia e o tal elemento picaresco; a partir daí o que era eminentemente soturno ganha uma inusitada claridade, estranha, é verdade, mas nem por isso menos reluzente, como neste trecho do conto intitulado (o título per si, faz rir) "propriedades de um sofá: "Em casa de Jacinto há um sofá para morrer. Quando a pessoa fica velha, um dia a convidam a sentar no sofá que é um sofá igual a todos mas tem uma estrelinha prateada no meio do encosto. A pessoa convidada suspira, mexe um pouco as mãos como se quisesse afastar o convite e depois senta no sofá, e morre.!" (p. 87). O que ressai evidente é que, de verdadeiramente inesperado e fantástico é a quebra da regularidade, a quebra de um rotina aparentemente normal, não fosse a origem dos Cronópios e dos Famas. Em alguns contos, a tragédia será pressentida pelo fato de que o narrador perde o controle dos nascimentos, como se um limiar numérico fosse ultrapassado e deflagrasse o desastre; o inusitado de algumas situações, reações aparentemente sem sentido ganham vulto, e a Arte Literária idem. São microcontos, e não obstante, a capacidade de condensar tudo isso em dois ou três parágrafos, alguns recheados com os ingredientes acima citados, é algo impressionante. O sarcasmo sem delongas, a morte (ah a morte sempre abordada pelo astuto argentino) são duas provas da versatilidade do grande contista que Julio Cortázar foi. O nonsense, o picaresco encontraram uma pista de pouso segura e secreta no discípulo de Borges e Bioy, pois que Cortázar inaugurou o caos contemporâneo, e foi da arte literária um mestre.

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