Bem no começo da década de 60, quando a cidade de São Paulo ainda andava em lua de mel com suas enormes e suntuosas salas de cinema, um moleque de11 anos costumava cabular aulas para pegar a sessão no cine Itapura, no Glicério - onde hoje deve funcionar um açougue, uma loja de roupas baratas ou um atacadista de materiais de construção. Do primeiro filme roubado das horas de estudo e condimentado com o prazer da transgressão ele já não se lembra do nome ou enredo; só sabe que viu a Jacqueline Bisset, muito jovem;“fiquei mais de uma semana chapado, sonhando com ela”. O garoto Inimá, como todo espectador de cinema até os anos 60, não se ligava especialmente no nome dos filmes e menos ainda no dos diretores. Se hoje a morada sai de casa para ver “o último Wim Wenders ou “o ciclo Ozu”, naquele tempo se ia ver “uma fita de cowboy com John Wayne no Art-Palácio”, ou “um romance muito triste com a Vivian Leigh no Ipiranga”... tão importante quanto o gênero do filme e o elenco era a sala de o cinema, parte integrante do sonho cinematográfico do paulistano. Foi o que Inimá Simões veio a entender quase vinte anos depois, quando propôs à Divisão de Pesquisas (ex-ldart, onde é pesquisador desde 1978) o levantamento da história não do cinema, mas dos cinemas de São Paulo.
Salas de Cinema em São Paulo -
Inimá Simões
Secretaria Municipal de Cultura
1990
168 páginas
5h 36m
ISBN-13: 1000233378357
Português Brasileiro
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