Sentámo-nos em tribunal muitos de nós pela primeira vez. Antes de o fazermos interrogámo-nos todos, uns mais do que os outros, se seríamos capazes de levar por diante o projecto de investigação que tinha por base observar. Fazêmo-lo todos os dias no decurso das nossas vidas, sabendo que é o primeiro passo de qualquer processo ou actividade mental relacionada com a visão mas também com a colaboração de todo um corpo em presença. Considerámos que, neste caso, a investigação se destinaria a integrar sucessivos modos de presenciar acções e comportamentos de outros num mesmo espaço e em diferentes momentos temporais, a que atribuiríamos legitimidade científica. ******************************************************** Longe de ser um hábito, a observação sempre convoca uma multitude de referências em possíveis articulações de que tiramos medida certa ou incerta face ao observado. E é na fixação de uma provisória imagem do que observamos que se inscreve o que se transmuda e nos implica. Índice: 1. Pórtico 7 1.1. O livro 9 1.2. O projecto 11 1.2.1. Espetáculo, Espetador, tribunal 14 1.3 Pequenos ciclos 17 2. Arcadas 24 2.1. Relatar a partir de sessões de julgamento 24 2.1.1. Roubar duas vezes. Roubar sempre. 27 2.1.2. Aos pornógrafos! Aos pornógrafos! 43 2.1.3. Burlar – uma arte genuinamente dramática 56 2.1.4. Espectação de vidas a granel 130 2.1.5. O improviso e o segredo de Estado 149 2.1.6. Exausto observador 155 2.1.7. Assistência a julgamento sem relatório 164 2.1.8. Sessão de julgamento de C. sem a presença de G. 167 2.1.9. Até onde a comiseração sobre miséria humana 171 3. Ágora 183 3.1. Colaborar indo mais além 183 3.1.1. A Justiça (a portuguesa, em particular) – Nuno Felix da Costa 183 3.1.2. Perguntamos para aprendermos a responder 184 3.1.3. Emília Costa a Anabela Mendes 184 3.1.4. Rosa Brandão a Anabela Mendes e Pedro Florêncio 189 3.2. Colaborar nos intervalos entre pensamento e coisa 193 3.2.1. Sobre a emoção como ferramenta crítica para um novo modelo de abordagem académica ao real e outras considerações sobre a metodologia aplicada no projecto “Teatro e Tribunal” – Pedro Florêncio 193 3.2.2. O imprevisível no jogo ficcional entre os palcos e os tribunais – Thiago Sogayar Bechara 196 3.2.3. Pela Arte e não pelo julgamento seguido de Como ela nos morre – permitam-me que discorde – Sara Carinhas 204 Sara, agradeço imenso o seu texto – Sérgio Mascarenhas 208 Gostaria de deixar aqui umas palavras – Anabela Mendes 213 3.3. Ao arrepio das artes performativas 215 3.3.1. A vertente judiciária e sua vertente espectacular (parâmetros e semelhanças) – Maria José Lisboa 215 3.3.2. Fado: sentir o sentir – Sérgio das Neves 216 4. Labirinto e planura 226 4.1. Residência artística em Arraiolos – Remanescências 226 5. Bibliografia e Sitiografia conjunta 228 6. Agradecimentos 238

