Os poemas de Leandro de Assis sangram, choram, agonizam e amam. Refletem a angústia do ser humano diante de uma sociedade que vive a se debater entre o sagrado e o profano, entre o prazer e a dor, entre o “ser” e o “dever ser”, entre os intermitentes desígnios de Eros e Tanatos. Em Sobre Eu e Eu Sou lateja um refluxo de palavras que oscilam entre o Eu Sublime e o Eu Anárquico, e deixam no ar os cálidos vestígios do Eu Visceral – que é o Eu imperscrutável, inacessível, de mistérios e desejos transcendentais, não explicáveis à luz da razão bem comportada. Uma leitura que, a partir do Eu do autor, se estende a muitos “Eus” e muitos Outros. Uma leitura em que a palavra que devora é a que o coração não diz, mas berra silenciosamente pelas entrelinhas. A poesia de Leandro é pura sensibilidade. Um rico território semântico de múltiplas facetas, da parte e do todo. É ingenuidade, lirismo, primaveras, memórias de infância, vontade de ordem e vontade de desordem, é bomba prestes a explodir, invasão e fuga, cansaço e busca. É aceitação que não se aceita, é amor que funde e se confunde, é caminho de muitas curvas com destino ao Eu Maior, que nem sempre é o Eu Perfeito mas é a plenitude. Até porque o perfeito não vai além dos limites da fantasia. Como escreveu, um dia, Fernando Pessoa: “Pobres das flores dos canteiros dos jardins regulares. Parecem ter medo da polícia...” Felizes e raros são aqueles que alcançam o Eu Maior e podem, no final de suas buscas, pelas mãos da poesia, dizer livremente: “Eu sou a minha verdade!” Valdeck Almeida de Jesus
Eu sou todo poema -
Leandro de Assos
CBJE
2007
61 páginas
2h 2m
ISBN-13: 9788560489909
Português Brasileiro
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