Muito bom e interessante pelo valor cultural e histórico
O livro conta a história, ficcional, mas poderia muito bem ser real, de Uana e Mukongo duas crianças que nascem no mesmo vilarejo de grandes famílias Banto, que ficava próximo ao rio Congo, e estão destinadas a ficarem juntas mesmo que suas famílias não queiram. Eles crescem juntos, brincam como qualquer criança. Um futuro próspero parece estar se desenhando para eles se não fossem os acontecimentos que ocorrem quando eles estão com cerca de 10 anos, acontecimentos esses que moldaram a história do nosso país. O local em que vivem é invadido por portugueses que matam muitos habitantes, que tentam resistir, e levam, acorrentados, os jovens e aptos para o trabalho, ler essas coisas causa muito embrulho no estômago. Após sobreviverem aos horrores da travessia do atlântico no porão de um navio, Uana é levada para a capitania de Alagoas para “trabalhar” na cozinha da casa grande de um engenho e Mukongo vai para a capitania de Pernambuco, abrir a mata para a plantação de cana de açúcar. Passados seis anos dessa separação eles se reencontram e podem enfim tomar para si o destino que foi dado a eles pelos seus Nkisses. Eles conseguem fugir de seus cativeiros e com ajuda de outros irmãos fogem para as terras da Serra da Barriga, ela mesma, o local que deu origem ao conjunto de Quilombos chamado Palmares.O livro conta muito do sofrimento que as pessoas escravizadas sofreram, mas não é só disso que esse livro é feito, tem muito das tradições Banto e língua Kimbundu, durante toda a narrativa, e possui um pequeno glossário onde podemos consultar o significado de algumas palavras, muitas festas ocorrem durante a narrativa, com muita música e dança, a presença da oralidade permeia toda a história. A história pode parecer simples mas nunca será simplória, pois e uma representação do que aconteceu/acontece com as pessoas negras no nosso país. Algumas lendas são contadas e algumas tradições, e uma delas me lembrou uma festa que acontece em Olivença na Bahia, a puxada do Mastro em homenagem a um santo, não lembro agora qual. Muitas de nossas tradições e ritos hoje, tem origem nos nossos ancestrais africanos e nem nos damos conta, esse ponto foi bem falado quando discutimos a respeito do livro Ponciá Vicêncio. Alguns outros fatos interessantes são colocados no livro, o que me chamou muito a atenção é que quem detinha o conhecimento do cultivo da terra eram os africanos; outro fato que muitas pessoas ignoram é que muitos dessas pessoas escravizadas eram realeza em suas nações, que absurdo seria escravizar o “príncipe” do Brasil não é! E o que falar das ilustrações do Aisameque, lindas demais, fazendo projetar das folhas as cenas e os sentimentos de cada passagem escrita pelo Israel. Essa capa então 0 defeitos, inclusive creio que essa árvore da capa seja um Baobá, a árvore da vida, muito reverenciada, não sei se é bem essa a palavra, pelos senegaleses. O livro foi publicado pela editora kitembo, vão lá conhecer essa e outras publicações
