A travessia de Eva -

    Pierre Péju

    Bertrand Brasil
    2005
    162 páginas
    5h 24m
    ISBN-10: 8528611280
    Português Brasileiro

    Étienne Vollard é um homem gordo, de vida isolada, que na escola servia de brinquedo à crueldade dos colegas. Cresceu e hoje é um livreiro. Eva uma garotinha cuja mãe, sem vocação alguma para a maternidade, um dia não vai buscá-la na escola. Na chuva, a caminho de casa, ao atravessar uma rua não vê a caminhonete pesada de livros de Vollard. É atropelada. No hospital, ao visitá-la, querem que Vollard fale com a menina. Juram que é ele o pai. O homem percebe o descaso da mãe, que teme ficar presa àquela filha. A indiferença entre as pessoas, o isolamento, a gratuidade dos gestos, a falta de sentido, a vida por ser vivida, toda esta atmosfera existencialista acaba por desembocar num deserto. E num grande livro.

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    Janaina Vieira  picture
    Janaina Vieira 24/06/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O abismo da alma.

    Esse é um dos livros mais tristes que já li, e ainda mais pelo fato de que a história narrada, mesmo sendo ficcional, pode estar acontecendo em muitos e muitos lugares, no mundo inteiro, a todo momento. Eva é uma menina cuja mãe simplesmente e infelizmente não tem o menor dom para a maternidade. Quase todos os dias ela se atrasa na hora de buscar a filha na escola porque está interessada em tudo, menos na pequena Eva. Até que um dia ela se atrasa muito mais do que o previsto, justamente no dia em que um temporal cai em Paris, quase alagando toda a cidade. A menina a aguarda diante da escola, que já está fechada e por fim, com medo de ficar ali, decide tentar ir embora sozinha. Porém, elas haviam se mudado há pouco tempo e Eva se confunde com as ruas. Ao tentar atravessar, não percebe a aproximação de um furgão e é atropelada. O atropelador é um livreiro, um homem solitário, que sempre se sentiu à parte da vida e da sociedade devido à sua timidez e baixa autoestima. Ele chega ao hospital antes mesmo da mãe da menina, apavorado com a possibilidade de tê-la matado. É a partir disso que toda a dor, a aflição, a tristeza e os abismos da natureza humana se mostram em suas cores mais reais. É um livro forte, um verdadeiro soco no estômago e não é leitura para quem quer se divertir. Super recomendado!

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