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    Julia and the Bazooka -

    Anna Kavan

    Peter Owen
    2009
    220 páginas
    7h 20m
    ISBN-10: 0720613280
    5
    1 avaliação
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    Anna Kavan now stands alongside Virginia Woolf as one of Britain's great 20th-century modernists. In this posthumous collection of Kavan's short stories, some of the author's most compelling writing is revealed, inspired in great part by her personal experiences—especially her nearly lifelong addiction to heroin. An important literary work, these narratives highlight the shadowed world of the incurable drug addict and probe the psychological aspects of addiction

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    André Pithon picture
    André Pithon20/08/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    4.5 Um amigo meu recentemente afundou em um surto incessante de Anna Kavan, e eu fui agora arrastado junto. Classificada dentro do Slipstream, a "ficção do estranho", definido por Christopher Priest na introdução do romance de Kavan, Ice, como: [...] a melhor forma de entender o slipstream é pensar nele como um estado mental ou uma abordagem particular, fora de qualquer classificação. Slipstream induz um senso de estranhamento na audiência, como o vislumbre de um espelho de distorção. (tradução minha) E eu não discordo, é estranho, é único, é diferente de tudo que já li. A contista russa constrói uma antologia desconfortavelmente autobiográfica, onde as histórias se conectam, parecendo que dividem uma narradora, mesmo este não sendo o caso, já que não há uma linearidade, e os contos não dividem continuidade lógica. Ainda assim, eles dividem um estilo, uma vibe, personagens, temas em comum. Oblomov, o marido que ela não ama mais; o médico que lhe dá drogas. Em temas, o tênis, a velocidade, os carros, as drogas, a titular bazuca, eufemismo para a seringa usada para injetar drogas. Tudo é ofuscado por um miasma de depressão e intoxicação, contos com Fog mostrando um mundo onde a personagem se desassocia da humanidade, onde as formas não tem contornos e onde tudo a segurança exista apenas ao se fechar dentro de si mesma. Mercedes e Clarita demonstram bem o colapsar da lógica do sonho, onde as narrativas quebram a lógica formal e tropeçam para dentro de um surrealismo, mas ainda muito firmadas no sofrimento da realidade, não derretendo completamente como um Dali, mas derretendo em pontos, o que torna muito mais desconfortável. Não existem contos alegres, imerso em depressão, apatia e luto. Luto pelo único amor, luto por ela mesma, luto pelo que nunca viveu. Até os contos que demonstram momentos mais alegres (World of Heroes) colapsam em fracasso. Muitas vezes não existe um final claro, só o lento perder do fôlego, o desistir, contos que são fragmentos de uma mente perturbada, de uma mulher pesada pela tristeza e por uma vida de drogas. É uma leitura desconfortável. Em outros momentos da minha vida, isto me afetaria profundamente. Até agora, aproximei-me das lágrimas em alguns pontos (Now and Then, Obsessional). Não é uma leitura fácil emocionalmente, a narradora te convida para abraçar sua apatia e depressão. Em contrapartida, a escrita é fluída, o passar dos parágrafos é rápido, um tom seco e apático que lentamente te atrai para os confins de seu raciocínio torto e fragmentado. Brinca em pontos com um fluxo de consciência, mas um de uma mente rendida, sem tempo para floreios e tangentes, e que se firma em um cinza nublado, linear em sua derrota. É excelente, é único, desconfortável e incômodo.

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    Helen Emily Woods profile picture

    Helen Emily Woods

    Anna Kavan (1901-1968) foi uma escritora e artista plástica britânica. Começou publicando sob seu nome de casada, Helen Ferguson, em 1929 e em 1940 passou a publicar sob o nome Anna Kavan (uma de suas próprias personagens fictícias). A sua escrita era em grande parte inovadora e experimental, influenciada pela batalha que travou ao longo da vida contra depressão severa e dependência crônica em heroína. Antes de morrer, a autora destruiu toda a sua correspondência e diários pessoais, ambicionando tornar-se «um dos maiores segredos do mundo literário». Quase o conseguia, não fosse a força profundamente inovadora da sua escrita e a admiração incondicional dos seus pares, entre os quais se contam nomes como Anaïs Nin, J. G. Ballard, Doris Lessing ou Patti Smith, a terem resgatado de um possível e injusto esquecimento.

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    Helen Emily Woods