Michkin protagonista do Livro O idiota ele tenta retratar isso, um homem de aparência impecável, de moralidade impecável, quesitos filosóficos incríveis, bondade de se admirar, mas ao meio de toda sua "perfeição" sua saúde não é perfeita, ele é homem com quadro de epilepsia, ou como na época era chamado, idiotice. Eu em muitos aspectos me vi muito no príncipe, seja pelo meu traço forte de perfeccionismo, seja pelo meu quadro de epilepsia, ou seja pelo fato dele abrir mão de sua própria felicidade em busca de ajudar o outro, todos esses aspectos que hoje poderiam ser vistos como algo bom em uma pessoa, no livro ele é tratado como um idiota, uma pessoa ingênua, incapaz de compreender o mundo em sua essência. O Livro trás fortes criticas sociais sobre o período histórico e social que a Rússia passava na época, também o livro contesta muito a filosofia niilista e de um modo "conservador" adota a religião russa como resposta ao niilismo por meio do Eslavófilo.
O colapso de Míchkin no final me deixou com um vazio. Ele começou como alguém que acreditava na bondade acima de tudo, mas terminou como uma casca de si mesmo, consumido pelo sofrimento que tentou carregar. É como se Dostoiévski estivesse dizendo que o mundo não é feito para pessoas como ele, e isso é uma verdade amarga de aceitar. Como alguém que também vive com vulnerabilidades embora não necessariamente físicas a descrição das crises epilépticas de Míchkin me atingiu profundamente. A forma como Dostoiévski descreve a aura, aquele momento de êxtase antes do colapso, é quase espiritual. É um lembrete de como a vida pode ser simultaneamente sublime e brutal. Quando Míchkin acorda após suas crises e percebe os olhares de pena ao seu redor, eu senti aquilo como um soco no estômago. É uma experiência universal: todos nós já nos sentimos julgados ou vistos como "menos" por causa de algo que não podemos controlar.
Nástasia Filíppovna foi outra história. Eu a amei, odiei, tentei entendê-la, e, no final, só consegui me curvar diante de sua complexidade. Ela não é uma personagem que você resolve; ela é como uma tempestade. Às vezes, parecia que todo o livro girava em torno dela, mas ela mesma era como uma sombra que pouco aparecia diretamente no livro, mas em todas as ocasiões era lembrada no livro, Ela carrega consigo essa culpa esmagadora, e o pior é que eu entendi. Não que eu concordasse com suas decisões, mas eu entendia por que ela sentia que não tinha direito à felicidade. Foi isso que me destruiu: saber que, por mais que o príncipe quisesse salvá-la, ela nunca aceitaria ser salva.
Agláia vem para ser o oposto de Nástacia ela é uma moça de personalidade difícil, porém ela é o mais perto de um final feliz romântico que o livro poderia das,mas sabemos que Dosoteivsk não é conhecido por finais felizes. Míchkin não consegue escolher o futuro porque está preso ao sofrimento de Nástasia. Ele não pode olhar para frente porque sente que sua missão está atrás, no passado trágico que ele tenta desesperadamente consertar.
Rogójin... Ele é o oposto de Míchkin, e talvez seja por isso que eles sejam tão inseparáveis. Rogójin ama Nástasia de uma forma que é sufocante, destrutiva. Seu amor é posse, enquanto o de Míchkin é sacrifício. E ainda assim, no momento mais brutal da história, quando tudo desmorona, eles estão juntos, sentados lado a lado, compartilhando um silêncio que diz mais do que qualquer diálogo poderia dizer. É uma das cenas mais poderosas que já li. É como se, naquele momento, o que separava o amor do ódio, o bem do mal, simplesmente deixasse de existir.
Esse livro acima de tudo é uma obra prima literária, ele vai fazer você pensar sobre infinitos temas e sem dúvidas ele vai mudar você.