Esta é uma edição digital Lebooks (2018), não muita cuidadosa: não traz informações sobre o organizador da coletânea nem sobre a escolha dos 25 contos e seus autores, alguns nem tão conhecidos assim (talvez apenas da crítica especializada ou de certos leitores), caso do contista e poeta goiano Hugo de Carvalho Ramos ou mesmo de Afonso Arinos e Domingos Pellegrini. Tampouco traz qualquer informação sobre a data de publicação das histórias ou dos livros ou revistas em que apareceram pela primeira vez. Ou seja, deixa a desejar um tanto.
Quem leu Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, ótima coletânea organizada por Italo Moriconi, verifica que 12 desses contos estão presentes naquele volume. Fiz então a releitura deles mas apesar de alguns serem ótimos me interessaram mais os contos que eu desconhecia, que li pela primeira vez aqui. Como os de Guimarães Rosa e Lygia Fagundes Telles, que estão entre os melhores desta edição. Que traz, claro, três histórias de Machado de Assis, nosso melhor contista, além do indefectível O Homem que Sabia Javanês, de Lima Barreto, também ótimo, mas que já li umas tantas vezes, pois sempre está presente em coletâneas desse tipo.
Depois de tudo lido o Brasil que surge dessas histórias é um país um tanto rural e arcaico: isso porque elas tratam de coisas, fatos, ideias e pessoas relativos aos anos finais do século XIX e iniciais do século XX. Se bem que um dos contos, o de Domingos Pellegrini, se passa num tempo mais próximo: trata da construção da ponte Rio Niterói, cujas obras duraram de 1969 a 1974: A Maior Ponte do Mundo é outra história bastante interessante. Há também dois contos de Rubem Braga, nem tão datadas assim e um deles, O Afogado, prende bastante a atenção do leitor.
O que todos eles têm em comum é que os autores escolhidos procuravam terminar suas histórias com um final inesperado, surpreendente ou mesmo impactante: reservaram suas melhores linhas (e entrelinhas) para os derradeiros parágrafos ou páginas. Como faziam os bons contistas de outros tempos. Impossível não se chocar com o final de Bar, de Ivan Angelo, capaz de provocar arrepios, assim como Venha Ver o Pôr do Sol, de Lygia Fagundes Telles. E não dá para não refletir sobre o trágico final da personagem criada por Bernardo Elis em Nhola dos Anjos e a Cheia do Corumbá, outro conto memorável. Assim como Negrinha, de Monteiro Lobato, que ainda hoje comove o leitor.
Eis os 25 contos e seus autores:
MISSA DO GALO Machado de Assis
A TERCEIRA MARGEM DO RIO Guimarães Rosa
NOITE DE ALMIRANTE Machado de Assis
O DUELO Guimarães Rosa
UM HOMEM CÉLEBRE Machado de Assis
VENHA VER O PÔR-DO-SOL Lygia Fagundes Telles
O AFOGADO Rubem Braga
APENAS UM SAXOFONE Lygia Fagundes Telles
NHOLA DOS ANJOS E A CHEIA DO CORUMBÁ Bernardo Elis
O PERU DE NATAL Mário de Andrade
VIAGEM AOS SEIOS DE DUÍLIA Aníbal Machado
BALEIA Graciliano Ramos
NEGRINHA Monteiro Lobato
O HOMEM QUE SABIA JAVANÊS Lima Barreto
UM BRAÇO DE MULHER Rubem Braga
A MAIOR PONTE DO MUNDO Domingos Pellegrini
BAR Ivan Ângelo
A PARTIDA Osman Lins
JOHANN Álvares de Azevedo
O BOI VELHO J. Simões Lopes Neto
PEDRO BARQUEIRO Afonso Arinos
A VINGANÇA DA PEROBA Monteiro Lobato
A COLCHA DE RETALHOS Monteiro Lobato
NINHO DE PERIQUITOS Hugo de Carvalho Ramos
A MORTE DA PORTA-ESTANDARTE Aníbal Machado
Lido entre 02 e 09/12/2019. Minha avaliação: 3,8.