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    Obra Poética Completa - vol. I - Crônica do Viver Baiano Seiscentista

    Gregório de Matos

    Record
    1999
    668 páginas
    22h 16m
    ISBN-10: 850103200X
    Português Brasileiro
    3.9
    19 avaliações
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    A poesia de Gregório de Matos -- lírica, sacra, burlesca, erótica e satírica -- está profundamente enraizada na realidade brasileira, especialmente em suas duas últimas vertentes, a erótica e satírica, que documentam os costumes e a vida moral, social e política da capital da colônia. Padres, freiras, militares, funcionários do governo, comerciantes, proprietários de terra, nobres, judeus, aventureiros, escravos e índios são personagens do vasto painel composto pelo poeta, que tratava sua terra tal como era: "O demo a viver se exponha, / por mais que a fama a exalta, / numa cidade onde falta / verdade, honra, vergonha." Percorre sua obra, como a vida, a conciliação de contrários própria do barroco, transportada da religiosidade católica para o domínio das forças da natureza e do paganismo: "Há cousa como ver um paiaiá, / Mui prezado de ser Caramuru, / Descendente de sangue de tatu..." Por pender para a vida terrena, Gregório de Matos imprime a muitos versos uma objetividade que só reapareceria, mais de dois séculos depois, em Augusto dos Anjos e, depois, em João Cabral de Melo Neto. Sua visão do amor, por exemplo, se define em: "O amor é finalmente / um embaraço de pernas, uma união de barrigas, um breve tremor de artérias." Seus sonetos sacros, tipicamente barrocos, não são menos belos, como a obra-prima que começa por "Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, / De vossa alta clemência me despido (...)"

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    Paulo Roberto Laubé picture
    Paulo Roberto Laubé03/08/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Crônica do viver baiano seiscentista

    do leitor “Vossa beleza vem dos olhos, que no meu sentir são raios. De vosso rico cabelo que nos ombros formas anéis preciosos. De vossa muita alma com que move o airoso corpo.” - Gregório de Matos Gregório de Matos, mais conhecido pelo apelido Boca do Inferno ou Boca de Brasa, é o maior representante poeta do Barroco brasileiro. É sem dúvida dos mais instigantes e, também, devido aos parcos documentos históricos e deficiência de registros, há muita discussão a respeito de sua obra. Isto é, existiam muitas pessoas que faziam poemas satíricos que assinavam Gregório de Matos devido à fama do escritor e para não se identificar. Por conta disso, os historiadores e literários “não fecham questão” sobre o que é de fato de autoria do Boca do Inferno e o que apenas foi atribuído a ele. De todo modo, a obra mais completa é a Crônica do viver baiano, cuja contra-capa já alerta “reúne toda a obra poética atribuída a Gregório de Matos, com muitos inéditos e toda a erótica do poeta baiano. Pesquisada em 17 códices manuscritos dos séculos XVII e XVIII.” É uma bela coletânea em dois grossos volumes de tudo o que se tem notícia com o nome de Gregório. Livro, por sinal, muito interessante com inúmeros poemas líricos e satíricos, e ainda uma biografia do século XVIII, um pequeno ensaio de Antonio Houaiss, e a relação dos códices. Deve-se salientar que o estilo barroco nasceu da crise dos valores clássicos do renascimento, ocasionada pelos conflitos religiosos e pelsa dificuldades econômicas que se seguiram à falência do comércio europeu com o Oriente. O homem desse tempo vivia um estado de tensão e desequilibrio, do qual tenta evadir-se cultuando um rebuscamento talvez exagerado. Em conflito, o artista produz uma obra de arte marcada pelas oposições, em um incessante jogo de claro e escuro, de luz e sombra, de alto e baixo relevo, dividido ente o efêmero e o eterno. Nascido na Bahia, Gregório de Matos e Guerra firma-se como o primeiro poeta brasileiro. Após estudos no Colégio de Jesuítas, vai para Coimbra e faz graduação em Direito. Formado vive alguns anos em Lisboa, onde casa e exerce a profissão de advogado. Com o casmento em crise e perseguido por suas sátiras, retorna à terra natal. Na Bahia, volta a trabalhar com os jesuítas como desembargador. O fato de ser um poeta brasileiro fazia com que Gregório de Matos se sentisse meio idiota. Vivia afastado da metrópole e perdia-se em divagações bastante confusas sobre si mesmo. achava que nada mais tinha a perder depois que voltara para sua terra viúvo e solitário. Rimar Jesus com cus, Deus com ateus, igreja com inveja, jesuíta com alcovita, juiz com infeliz, poeta com pateta, Santo Antônio com demônio, letra com punheta ou história com chicória, tanto fazia. Tinha os mesmos sentimentos para escrever sobre a mulata, o amor, o caralho, o papagaio, o governador, El-Rei ou Deus. Apesar de ser conhecido como poeta satírico, daí o apelido Boca do Inferno Gregório também praticou com esmero a poesia lírica e religiosa. Em suas sátiras, ridiculariza o brasileiro que trabalha para sustentar o colonizador, o colonizador português predatório e explorador, El-Rei, o clero e, em uma postura moralista, os costumes da sociedade baiana do século XVII. Na poesia lírica e religiosa manifesta certo idealismo ao lado do conflito gerado pela necessidade de viver a vida mundana ao mesmo tempo que busca a pureza da fé. http://literaturacotidiana.com.br/?p=3309 Paulo Cabelo Laubé

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    Gregório de Matos e Guerra

    Gregório de Matos e Guerra (Salvador, 23 de dezembro de 1636[1] — Recife, 26 de novembro de 1695), alcunhado de Boca do Inferno ou Boca de Brasa, foi um advogado e poeta do Brasil . É considerado o maior poeta barroco do Brasil e o mais importante poeta satírico da literatura em língua portuguesa, no período.

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    Bahia, Brasil

    Gregório de Matos e Guerra