Não tenho o costume de ler poesias, embora ame escrevê-las Mas ao me deparar com o título "A Imortalidade da Morte", tive uma imensa curiosidade em ler os poemas falando desse tema. Percebi que Jair Cardoso tem talento para expressar sentimentos de forma mais sublime.
Geralmente, falar de morte é um tabu, mas Cardoso conduziu o assunto como reflexão saudável, nos levando a pensar nos diversos tipos de morte.
Para o poeta, existem mortes necessárias e desnecessárias. Os seres humanos experimentam a diversidade da morte em seu cotidiano. Apesar de existir a grande morte, o grande fim, temos as mortes pequenas. Algumas saudáveis e outras nem tanto. Independente do tipo de morte, nós somos continuamente transformados por elas. E Jair Cardoso caracteriza muito bem essas transformações.
Um dos poemas que mais me chamou a atenção foi o "Smart Morte", uma referência bem interessante ao Smart Fone e outras tecnologias. Por falar em tecnologias, os poemas são permeados de referências tecnológicas, sociais, teológicas, filosóficas, etc.
Há um grande destaque para o personagem Caronte, o barqueiro do inferno. O poeta soube explorar bem o personagem e nos dar noção do quanto o seu simbolismo se relaciona com a contemporaneidade.
Gostaria de tecer mais elogios aos poemas, porém creio que o melhor é convidá-los a ler esses belos poemas para se embriagar com um grande saber. A arte da poesia de Jair Cardoso inaugura um grande Ode à (I)Mortalidade.