O início das aventuras de Vanth Dreadstar
“Dreadstar” é um personagem da Marvel que chegou a fazer certo sucesso aqui no Brasil, mas hoje basicamente só os fãs de mais longa data lembram dele. Nós, brasileiros, só viemos a tomar conhecimento do personagem em agosto de 1985, com o lançamento da edição 01 da revista Epic Marvel que, além de Dreadstar, publicava histórias da “Irmandade do Aço” e “Legião Alien” (sobre os quais falarei em resenhas futuras!). Apesar disso, o início da saga, chamado de “A Odisséia da Metamorfose”, só seria lançado por aqui em 2011, pela Devir. Misturando conceitos místicos, filosóficos e sci-fi, a obra não tem como personagem principal Dreadstar, e sim Aknaton, o último sobrevivente de uma raça de seres sábios e muito avançados em tecnologia e nas artes místicas. A história nos conta que a utopia do planeta chamado Orsiros foi interrompida quando entraram em guerra com uma raça beligerante e incrivelmente poderosa: os Zygoteanos. Como os sábios do planeta Orsiros chegaram à conclusão de que não poderiam vencer os Zygoteanos, sacrificaram-se para transferir toda a sua força e conhecimento para Aknaton, na esperança de que ele pusesse um fim a essa grande ameaça, que estava tomando e destruindo os planetas por onde passava, incluindo a Terra. Aknaton, imortal, passa a deixar “sementes” pelo cosmo, sendo o predecessor da vida senciente de muitos planetas. Ele também cria um artefato poderosíssimo, que poderia apenas ser empunhado por um ser de incrível poder, também criado por ele, centenas de anos depois. Em suma, o plano de Aknaton é aniquilar a nossa galáxia, dando fim aos Zygoteanos, e usar as suas “sementes” para criar uma nova civilização no lugar, mais justa, com as qualidades que ele mesmo julgou importantes. “A Odisséia da Metamorfose” mistura conceitos filosóficos, místicos e morais, e usa uma arte muito inspirada, linda, com uma pegada realista, que inicia no preto e branco e que, aos poucos, vai incluindo cores. Confesso que a arte aqui é o que chamou mais a minha atenção, tanto pelo estilo quanto pela narrativa de Starlin. Quanto ao conteúdo, apesar de ser denso para uma história em quadrinhos (tomou vários números da Epic Illustrated, a publicação original onde saiu esta obra), poderia ter sido mais explorado, na minha opinião. São muitas ideias, abundantes, que seriam — creio eu! — melhor trabalhadas em um livro. Talvez eu tenha esse pensamento por ser um leitor inveterado de livros antes de ser um leitor de quadrinhos! O fato é que “A Odisséia da Metamorfose”, de Jim Starlin, serve como uma graphic novel para quem não quer ler um quadrinho de herói, que gosta da mídia em questão, mas deseja ler obras mais diferenciadas, que fogem do padrão. Algo que encontrará em abundância nesta obra!
