Livro excelente para conhecermos melhor a Biblia, a terra e o povo dz Bíblia, o judaismo, as releituras deuteronomistas e sacerdotal, os Evangelhos, um livro que vale a pena conferir! Ler tudo!
Livro excelente para conhecermos melhor a Biblia, a terra e o povo dz Bíblia, o judaismo, as releituras deuteronomistas e sacerdotal, os Evangelhos, um livro que vale a pena conferir! Ler tudo!
Fichamento do livro: A Bíblia nas suas origens e hoje Johan Konings Editora Vozes, Petrópolis 1998 Prefácio “O livro em suas mãos proporciona informação básica e orientações para a leitura da Bíblia, livro sagrado do judaísmo e do cristianismo e patrimônio da humanidade” p.7 Capítulo 1 – A Bíblia por fora “A Bíblia é uma biblioteca. Cada livro tem sua própria história e deve ser lido sobre o fundo de sua própria história e deve ser lido sobre o seu fundo de seu próprio contexto histórico, gênero literário, intenção do autor, etc”. p.11 “A Bíblia judaica é menor que a Bíblia cristã, por não conter escritos cristãos” p.12 “A opção católica se justifica porque os sete livros a mais faziam parte da Bíblia dos primeiros cristãos” p.14 “Bíblia hebraica: o conjunto dos livros bíblicos escritos em hebraico” p.14 “Bíblia judaica (Tanak): a Bíblia aceita hoje, ou seja, a Bíblia hebraica e as traduções que seguem o texto hebraico”. P.14 “Septuaginta ou Setenta (abrev.LXX): a tradução da Bíblia hebraica para o grego, efetuada nos séculos III-I aC. Contém sete livros a mais que a Bíblia hebraica” p.14 “Bíblia cristã: a Bíblia do Antigo Testamento em tradução grega (LXX e outras traduções) e o Novo Testamento, segundo a aceitação cristã, no texto original ou em tradução”. P.14 “Bíblia grega: o Antigo Testamento em tradução grega (LXX e outras traduções) e o Novo Testamento, no original grego; ou, mais corriqueiramente, a Septuaginta e o NT grego, que constituem a Bíblia dos primeiros cristãos e das Igrejas gregas até hoje” p.14 “Bíblia latina: Antigo e Novo Testamento em tradução latina”. P.14 “Vulgata: versão latina da Bíblia cristã elaborada por S.Jerônimo; é a forma mais conhecida da Bíblia latina” p.15 “Bíblia católica: a Bíblia conforme definida pela Igreja católica, com o “cânon amplo” do AT”. “Bíblia protestante: a Bíblia cristã segundo o uso protestante, com o cânon restrito” do AT. Divisão e ordem dos livros na Bíblia “T – Torá, a Lei (de Moisés)” p.15 “N – Nebiîm, os Profetas, anteriores, ou seja, primeira coleção e posteriores, ou seja, segunda coleção” p.15 K – Ketubín, os Escritos p.15 Unindo as três letras iniciais das categorias resulta a palavra “Tanak”. “A divisão em capítulos e versículos. Esta divisão não existia inicialmente. A divisão em capítulos data da Idade Média (Stephan Langton, 1228), e a divisão em versículos, do início da Modernidade (Robert Estienne, 1559). Essas divisões não correspondem sempre ao sentido do texto; havendo argumentos válidos, o estudioso deverá às vezes desconsiderá-las” p.16 “Para o estudo científico, convém saber algo sobre o texto original e sua relação com as traduções em voga entre nós”. p.17 “Os livros do Antigo Testamento foram escritos originalmente no idioma do antigo povo de Judá, e Israel, o hebraico”. P.17 “O Novo Testamento foi escrito na língua da maioria dos cristãos do primeiro século, o grego popular, conhecido como grego koiné (= “comum”). P.17 A Septuaginta “Quando, no século IV aC, Alexandre Magno conquistou o antigo Império Persa (inclusive a Palestina), a língua administrativa, cultural e comercial se tornou o grego. A lenda atribui a tradução a setenta sábios, de onde seu nome: Septuaginta ou Setenta (sigla LXX)”. P. 18 A Vulgata “No séc. IV dC, o imperador Constantino converteu-se ao cristianismo, e em 390 dC o imperador Teodósio proclamou o cristianismo religião oficial do Império Romano. Com isso, tornou-se religião das massas populares, também na Europa Ocidental (Itália, Espanha, Gália/França) e na África setentrional, onde a língua popular era o latim. Depois de diversas traduções parciais, feitas na Itália e na África do Norte, o teólogo romano integral em latim, a língua do povo comum: a Vulgata (de vulgus, “povão”) p.19 “A tradução usada pelos evangélicos ou protestantes no âmbito português, inclusive no Brasil, é obra de um teólogo de origem portuguesa judaica, refugiado na Holanda, João Ferreira de Almeida” p.20 “Bible de Jérusalem. Embora feita por católicos, esta tradução conhece bastante aceitação nas outras Igrejas cristãs, graças ao caráter científico de suas notas e recursos e a fidelidade aos textos originais” p.21 “A simplificação linguística, às vezes empobrece a tradução”. P.22 “Encontram-se ainda pessoas que resistem à leitura de introduções, notas ou comentários junto à Bíblia. Querem a Bíblia “sem interpretações”. Ora, quem não leva em consideração os subsídios preparados por estudiosos honestos facilmente se torna vítima de seus próprios preconceitos que identificaram a “besta” do Apocalipse com o Papa ou o termo “carne” com sexo podem desviar o leitor definitivamente daquilo que a Bíblia quis expressar. Um comentário científico manipula menos a mente do leitor do que um preconceito e pode ajudá-lo a encontrar riqueza maior. É perigoso querer ler na Bíblia somente aquilo que já se tem na cabeça” p.25 Capítulo 2 – A terra e o povo da Bíblia “Canaã-Israel-Palestina. Tem mais ou menos o tamanho de Sergipe” p.27 “Clima ensolarado, mas ameno” p.28 “Durante a maior parte de sua história, o povo de Israel viveu sob o domínio dos grandes impérios que se sucederam na hegemonia do Antigo Oriente. A história bíblica só se entende no quadro da história destes impérios”. P.33 O Egito; Sumer e Acad – Os paleobabilônicos; A Assíria; Os neobabilônicos; Os persas; Os gregos “Alexandre iniciou uma política de integração cultural: “a helenização” de todo o seu império. O povo judeu sofreu a influência da helenização, não somente na “diáspora” (= as comunidades judaicas espalhadas nas grandes cidades do mundo antigo), mas também na própria terra da Palestina. No séc.II, a paganização dos costumes e a profanação do templo de Jerusalém provocaram a insurreição dos Macabeus contra os príncipes helenistas” p.37 Os romanos “Os romanos deixaram subsistir na Palestina a cultura grega, que eles tinham adotado para todo o Império. Entretanto, reforçaram muitíssimo o centralismo do Estado e o controle imperial sobre a Judéia, primeiro indiretamente, através da dinastia (espúria) de Herodes, e progressivamente de modo mais direto, mediante procuradores romanos, como, p.ex,. Pôncio Pilatos” p.37 O período da monarquia A partir do séc.XI, os israelitas conhecem reis, semelhantes aos reis de Canaã. p.39 O período pós-exílico Como nações, Israel e Judá são aos poucos desmanteladas pelas guerras. p.39 “No pós-exílio, os judeus constituem um povo, sem serem uma nação com soberania política. O que os mantém unidos é sua identidade cultural e religiosa. Por isso, reagem com violência quando esta é ameaçada, como na revolta dos Macabeus por volta de 170aC” p.40 “Fundamental é o sentido da santidade ou transcendência de Deus, inseparavelmente articulado com o senso ético nas relações humanas” p.40 Capítulo 3 – História e Literatura do Israel antigo “O Israel antigo – “de mais ou menos 1250 até mais ou menos 550 aC. É o período do “Israel antigo”, o povo das doze tribos de Israel, que se liberta da hegemonia egípcia e se transforma num reinado, aliás, em dois reinados, engolidos sucessivamente pelos assírios e os babilônios” p.43 Historiografia profética e profetismo “Deixando para mais tarde a consideração peculiar de Êxodo e Números e de Crônicas, explicamos aqui o gênero literário de Dt e de Js-Jz-Sm-Rs; Definimos esse gênero como historiografia profética” p.46 “Os profetas Anteriores” ou a “Historiografia Deuteronomista” “Os livros bíblicos que descrevem o período das tribos e dos reinados são historiografia profética. Não procuram reconstituir a história à maneira acadêmica dos historiadores científicos atuais, mas procuravam ver onde está Deus em tudo isso. Contam a história sob o ângulo da visão profética” p.48 Josué “O livro de Josué recorda a luta dos israelitas para ocuparem a terra controlada pelos reis das fortificadas cidades-estado de Canaã, por volta de 1200 aC”. p.53 “Josué é lembrado como aquele que orientou as tribos de Israel para que, uma vez assentadas na terra de Canaã, ficassem fiéis a Javé e não se entregassem às religiões cananeias, com tudo o que isso implicava” p.54 Os juízes “Estes intervinham quando a necessidade se fazia sentir: julgar conflitos – muitas vezes de terra -, organizar o povo contra os tiranos, etc. Geralmente são definidos como líderes carismáticos, inspirados ou impelidos pelo “espírito de Deus” (cf.Jz 6,34,etc.). p.54 O reinado “Os livros de Samuel narram como, nessa situação, surgiu o reinado. Seu relato abrange o último dos juízes, Samuel, e os reis Saul e Davi. A sucessão de Davi por Salomão constitui o início dos livros dos Reis, que relatam a história dos reinados de Israel e Judá até o Exílio babilônico (586aC). p.55 “A maior parte dos livros 1/2 Samuel é dedicada ao advento do rei Davi e à sua sucessão por seu filho Salomão. Um verdadeiro romance histórico, escrito com grande intuição psicológica e arte literária”. P.56 Salomão “O filho de Davi, Salomão, reforça a centralização política e religiosa, construindo em Jerusalém um templo permanente junto ao palácio real. Em torno ao palácio desenvolve-se uma cultura refinada, que faz de Salomão o expoente da sabedoria (1Rs 4,9-14; 10,1-10, etc.). p.56 A Voz dos profetas “Existe uma instância que enfrenta a hegemonia política e religiosa assumida por Davi e Salomão: o profetismo”. p.57 “Elias é também uma figura política. O profetismo continua autônomo em relação ao rei”. p.58 Amós e Oséias “Amós censura com agressiva ironia os abusos sociais, contrários à liberdade e fraternidade que Javé proporcionara ao povo quando o tirou do Egito” p58 “Oséias usa nas suas críticas a alegoria da esposa infiel”. p.59 “Isaías se opõe à ideologia dominante de fazer pactos com os estrangeiros” p.60 “Miquéias, homem do campo, acusa mais especificamente os abusos sociais” p.60 A Reforma de Josias “O rei Josias, retoma o projeto de restauração nacional de Ezequias e também o executa. No plano militar, consegue reintegrar os territórios do antigo reinado de Davi” p.61 Sofonias, Jeremias “Reagindo contra o oportunismo dos pactos políticos, Sofonias proclama sobretudo que a esperança de Israel e Judá está no povo “pobre e humilde” o “resto de Israel” (3,12-13), que conta com Deus e vive em simplicidade, retidão e justiça” p.61 “Jeremias deixou uma mensagem mais ampla e diversificada. Além de insistir fortemente na retidão pessoal, desempenhou também – como Isaías – o papel de orientador político” p.62 Naum, Habacuque “Enquanto o profeta Naum parece saudar em tom provocador a derrota de Nínive, capital da Assíria, em 612aC, o profeta Habacuc, vendo as intenções conquistadoras da Babilônia, comenta amargamente o alastramento da guerra e da miséria” p.62 “Ao mesmo tempo, Jeremias continua a sua atividade, criticando a política pró-egípcia dos reis de Judá e reconhecendo que o poder da Babilônia é, no momento, irresistível. Sua oposição lhe custará a liberdade e quase a vida”. p.62 Capítulo 4 – O Exílio e o judaísmo: nasce a Bíblia “O “Israel” pós-exílico não conta com aquilo que uma vez foi o “Reino de Israel”. É um Israel quase exclusivamente constituído por Judá”. Judaísmo. p.65 “Israel é doravante um povo presente em todas as nações” Já não se identifica, sem mais, com o seu território. E isso é uma vantagem. Esta dupla maneira de ser povo sem ser nação é a característica do “judaísmo”: Israel em Judá e na diáspora” p.66 História do povo na época persa “Em 539, Ciro submete os babilônios. Para estabilizar seu poder no imenso império que conquistou, ele precisa da colaboração das elites nacionais de cada país. Por isso, no ano de 538, decreta a volta da elite judaica exilada na Babiônia (Edito de Ciro)”. p.67 “Como outrora os exilados nas margens dos rios da Babilônia, agora é Judá, restaurada, mas à mercê dos persas, que pergunta: “Quem sou eu?” Há outras coisas a reconstruir, além do Templo. P.69 A “obra deuteronomista” “Durante o exílio, o povo de Judá, carregando sozinho a herança religiosa de “todo Israel”, tem dois pólos de consciência nacional e religiosa. O primeiro pólo é constituído pelos remanescentes, os que não foram levados para Babilônia, mas, como Jeremias, continuaram tentando viver como “filhos de Israel” na proximidade de Jerusalém destruída. O segundo pólo é o grupo dos exilados, constituído de pessoas da elite ligada ao rei e ao Templo. Ambos os grupos se dão a uma espécie de “regressão” psicológica coletiva: realizam uma reintegração de sua memória e identidade”. p.71 historiografia deuteronomista, Js-2Rs “Para compreender a visão dos remanescentes, é mister recuar até o século VII. A reforma de Josias, por volta de 620 aC, desempenhara um papel importante: promovera uma proclamação e codificação atualizada da Lei, chamada mais tarde “segunda Lei” ou Deuteronômio. Neste quadro entende-se um fenômeno estranho: na historiografia deuteronomista, nunca se fala da Páscoa, memorial da Aliança por excelência, a não ser por ocasião da reforma que toda a história ia ser relida à luz da mística da Aliança. O projeto político “Visto que no antigo Israel a comunidade religiosa e a comunidade política constituem uma unidade, a visão da “escola deuteronomista” inclui um projeto político, sustentado pelo “povo da terra”. p.72 “Mas os principais representantes da dinastia davídica, Davi e Josias, justificam a monarquia”. p.73 “Daí a regra: se o rei obedece a Javé, este mostra seu favor ao rei e ao povo; se, porém ele desobedece... desgraça para ele e para o povo”! p.74 “A escola nacional, que, por definição, é o Templo de Jerusalém. A unificação política e religiosa de Josias é o modelo que inspira a visão deuteronomista quanto à reconstrução do povo e da nação” p.75 A Obra sacerdotal e a redação do Pentateuco “O segundo pólo da consciência religiosa e nacional se encontra na elite exilada na Babilônia, que durante e depois do exílio elabora sua reflexão sob o impulso dos sacerdotes ligados ao Templo de Jerusalém” p.75 Os livros de Moisés “Os “livros da Lei (de Moisés)” (Gn-Dt) não nasceram de repente, não caíram do céu como o Alcorão de Maomé. Esta literatura desenvolveu-se qual embrião no seio do povo, antes de ver a luz na forma dos cinco “livros de Moisés”, o Pentateuco. Na realidade, a gestação durou muito. Começou no tempo de Moisés e do êxodo e terminou 800 anos mais tarde, depois do exílio babilônico”. p.76 A “Bíblia antes da Bíblia” “Não apenas em relação ao Pentateuco, mas à Bíblia inteira, devemos dizer que os livros bíblicos não caíram do céu. São condensações de uma vivência e de uma consciência que foi se formando e se expressando muito antes de ser cristalizada em forma de livro” p.78 “A partir do período monárquico, desenvolve-se uma tradição de crônica escrita, mencionada” p.80 “No período que vai desde os patriarcas até o reinado de Davi e Salomão, a memória de Israel – ritos, narrações sobre os patriarcas, a epopeia do Êxodo, a história das lutas da conquista da terra, etc. – é transmitida principalmente por tradição oral” p.81 “O presumível contexto histórico e sociológico desta visão “humanista” da história pode ser o reinado de Salomão ou o tempo imediatamente depois, no reino do sul (séc. X-VIII aC)”. p. 81 “A narração eloísta (do norte) é menos bem conservada no atual texto do Pentateuco que a javista (do sul), o que se explica pelo fato de os dois documentos terem sido amalgamados no âmbito do reino do sul, talvez por ocasião da reforma de Ezequias, por volta de 700 aC”. p.81 O livro do Dt não provém dos mesmos documentos que o “tetrateuco” (Gn,Ex,Lv,Nm), mas é uma ampliação, em forma de despedida” p.82 “Os estudiosos concordam que no tempo depois do exílio foi composto o Pentateuco como grandiosa visão das origens do mundo e do povo e que o livro do Deuteronômio é ao mesmo tempo a conclusão do Pentateuco e a introdução à historiografia profética do período das tribos e do reinado” p.82 Nada tem a ver com a “história natural” dos manuais escolares “As primeiras páginas da Bíblia são “teologia narrativa” p.83 Depois da história das origens do mundo e da humanidade, nos defrontamos com as histórias da origem do povo e dos seus ancestrais, os patriarcas. Antes que histórias curiosas e um tanto estranhas, são elas, para o povo em crise, uma resposta à pergunta: “Quem eu sou”. p.84 “Por trás desta “etno-sociologia” da Idade da Pedra está uma visão que se encontra em muitos povos arcaicos: o ancestral representa o povo todo; é “personalidade corporativa”. As histórias dos patriarcas são a história do povo todo. O povo se reconhece nas estórias de seus “pais”. p.85 Etiologias “Nas histórias sobre a circuncisão e o sacrifício do filho reconhecemos um gênero literário muito usado no Pentateuco, especialmente na história dos patriarcas: a etiologia ou narrativa explicativa” p.86 Alianças “O rito da Aliança sagrada fazia parte da memória de Israel” p.87 Êxodo-Aliança-Lei “Se muitos povos contam algum evento referencial, para Israel este evento é o Êxodo do Egito”. p.87 As instituições sociais e religiosas “Aquilo que geralmente se chama “a lei de Moisés” contém muitos elementos que nós chamaríamos de instituições sociais e religiosas do povo” p.89 “A Lei fazia de Israel realmente um “povo peculiar” p.89 “A santidade e unicidade de Javé fazem de Israel um povo santo e único” p.90 “O êxodo significa libertação” p.91 “A observância da Lei é a condição necessária para que as bênçãos divinas prometidas ao povo eleito se tornem eficazes e multipliquem seus efeitos para o bem da coletividade” p.91 “Mas as influências do ambiente cultural causaram frequentes infidelidades dos israelitas para com Javé” p.92 “E quem conhece, hoje, entre nós, a teologia da libertação, sabe que o êxodo continua sendo o espelho para a autocompreensão religiosa, ética, social e política dos oprimidos” p.93 “A atribuição a Moisés é como que a chancela oficial das autoridades religiosas judaicas para o uso litúrgico dos livros na Sinagoga como livros inspirados por Deus” p.93 “O Salmo 137 exprime a desolação dos judeus na sua nova situação. Buscam a identidade na não-conformação à cultura babilônica e na revalorização da própria tradição religiosa, mormente a circuncisão e o sábado, que os distinguem dos demais povos” p.95 “O livro de Jonas se afasta sensivelmente da mentalidade xenófoba da época de Esdras”. P.98 Capítulo 6 – Jesus de Nazaré e o Novo Testamento “Uma comunidade que nasceu do judaísmo, mas, ultrapassando a delimitação étnica e cultural, se compreendeu como a verdadeira renovação da Aliança e o caminho de realização da vocação universal do “povo de Deus”: o cristianismo” p.127 “O que Jesus trouxe não cabia nos conceitos que povoavam a mente dos seus contemporâneos” p.128 “A historiografia científica de Jesus de Nazaré é problemática, por se tratar de uma pessoa de origem humilde e desconhecida. Mas a “narração” p.128 Fontes “As fontes do estudo de Jesus Cristo e dos primeiros cristãos são principalmente os próprios escritos do Novo Testamento” p.128 O Reinado de Deus “Aí está uma primeira raiz do futuro conflito: Lei e a Justiça não são em primeiro lugar meios para se salvar, mas orientações para amar os outros filhos de Deus. Outra raiz da rejeição de Jesus se encontra na questão do messianismo. O Messias como um “salvador da pátria”. Jesus não era um novo Davi, guerreiro que expulsasse os estrangeiros e inaugurasse uma dominação judaica universal” p.133 “ele não entra montado num cavalo, mas num jumento, como o Messias pacífico e sofredor das profecias de Zc 9 e 12” p.133 A morte “Jesus morreu porque foi fiel àquilo que ele tinha iniciado: uma nova maneira de viver, no mundo, a consciência do amor. Jesus mexeu com as estruturas político-econômico-sociais estabelecidas, pois essas não produziam justiça” p.134 “Essa dimensão religiosa da “revolução” de Jesus é mais importante do que geralmente se imagina, pois a pior ditadura é a religiosa, porque ela amarra a consciência e a liberdade interior das pessoas” p.134 “Paulo abriu a herança de Israel para toda a humanidade” p.136 Nasce um a literatura “Desde cedo constituíram-se, primeiro de modo oral e depois por escrito, coleções de sentenças e de milagres de Jesus, para servir de subsídio para os novos evangelizadores, que não participaram pessoalmente dos acontecimentos” p.137 O “evangelho antes dos evangelhos” “Mas antes dos evangelhos escritos existia o evangelho oral, a pregação dos discípulos de Jesus: o “evangelho antes dos evangelhos” p.137 Kerygma = “Anúncio” p.138 As formas literárias nas comunidades cristãs “O evangelho é um querigma, uma proclamação de Jesus crucificado e ressuscitado, como sendo fonte de salvação”. p.140 “Existe hoje em dia muito abuso na leitura do Ap. Para muitos, é um livro de horrores, ou, pelo menos, um livro enigmático, ensejando especulações misteriosas ou fanáticas, como p.ex. as identificações da “besta-fera” (Ap 13,18). Na realidade, não é nada disso. É um livro de exortação dos cristãos na sua vida ameaçada, por fora, pela perseguição, por dentro, pela infidelidade” p.166 “O Ap não é, portanto, um livro de futurologia, mas um anúncio da vitória do Enviado de Deus (o cordeiro) na plenitude do tempo, que já se inaugurou com a vinda de Jesus” p.166 Capítulo 7 – A Bíblia vem até nós “No caminho das Sagradas Escrituras da Bíblia até nós, depois de seu nascimento e redação, o momento mais importante é sua recepção pela comunidade crente como referência de sua fé” p.167 “A recepção pela comunidade se expressa primeiro no uso e, depois, na adoção de uma lista de escritos considerados como referência de sua fé” p.168 “Canônicos são, pois, os livros recebidos na lista dos textos considerados pela comunidade como “sagrados”, divinamente inspirados e fidedignos para a instrução dos fiéis. No caso da Bíblia, estas comunidades – judaicas ou cristãs – demonstram divergências entre si; nem tudo o que uma comunidade considera canônico o será necessariamente para as outras!” p.168 “Chamam-se apócrifos os livros que se apresentam com pretensão de inspiração divina e que não são recebidos como tais pelas comunidades” p.168 Capítulo 8 – Leitura e estudo da Bíblia “Assim é a palavra da Bíblica. Cria um “ecossistema” no qual é preciso integrar-se para desfrutar seus efeitos. É o que chamamos: sintonizar. Ou talvez também: entrar na roda, modestamente, escutando qual é a conversa até percebermos de que se trata, e então na conversa e fazê-la” “nossa” p.193 “Para quem sabe ler a pauta traçada por Oséias, Jeremias e Ezequiel, é claro que Jesus é o verdadeiro esposo, que veio celebrar as núpcias da restauração messiânica do povo” p.195 Leitura é releitura “Leitura bíblica é releitura. É fazer reviver a antiga palavra, a partir da tradição que ela criou para chegar até nós, na nova situação em que nós nos encontramos” p.197 “Nos métodos da investigação crítica da Bíblia, convém observar o objetivo, a pergunta à qual eles querem responder e os critérios que eles usam, sendo estes últimas de dois tipos: internos e externos; os critérios internos são os que se podem descobrir dentro do próprio texto considerado, os externos são os que são encontrados fora do texto” p.198 “Para que a mensagem da Bíblia seja verdadeira, não é preciso que tudo o que ela narra seja história cientificamente verificada” p.200 “Perguntas: “Por quem, onde, quando, como, para que, para quem, em que gênero e estilo, etc.,foi escrito este texto”? p.201 “Se na Bíblia encontramos a memória de uma comunidade, é importante saber como esta memória se formou, estudo da “tradição” p.203 “Um gênero que foi muitas vezes mal entendido é o das narrações teológicas-didáticas, como são a maioria das narrações nas primeiras páginas da Bíblia: Adão e Eva, Caim e Abel, o dilúvio” p.204 “Um gênero que exige atenção especial e muita prudência é o gênero sapiencial. O livro dos Provérbios, p.ex., coleciona sabenças do povo, que evidentemente não primam pelo cuidado teológico” p. 205 “Tenha-se, portanto, o cuidado de não transformar um provérbio, mesmo bíblico, em argumento dogmático! Respeite-se o gênero literário”! p.205 “O método sociológico nos ensina a ler a Bíblia com os pés no chão” p.212 “A Bíblia é o livro de Deus e dos homens. É escrita por ambos. Pelos homens, no papel, por Deus, na vida. É também o livro de Deus-com-os-homens. Expressa a maravilhosa e misteriosa presença de Deus na vida da gente” p.217 “A seta do sinal da estrada pode estar cheia de erros, grafando Brazília com z, mas se indica certinho o caminho, está certa. Pois sua verdade não é da ordem da ortografia, mas da geografia” p.220 “Deus escreve reto por linhas tortas” p.220

Johan Konings nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colegio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Foi professor de exegese bíblica na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre (1972-82) e na do Rio de Janeiro (1984). Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE - Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte, onde recebeu o título de Professor Emérito em 2011. Participou da fundação da Escola Superior Dom Helder Câmara.
