Esta análise sobre Vidas Secas de Graciliano Ramos parte da conclusão de Carlos Nelson Coutinho de que este não é um romance da seca, mas sobre o latifúndio; e da análise de Antonio Cândido que, corroborando o primeiro,vai mais além na análise literária, ao penetrar o interior das personagens, desvelando-as e mostrando que, mediante a escolha de uma narrativa, diversamente dos romances anteriores, Graciliano torna possível, através da construção de personagens rústicos, a iluminação dos fatos. Vidas Secas é a representação de um olhar sobre a realidade que, ao constatar a impossibilidade de mudança da estrutura agrária a partir dela própria, propõe às personagens a fuga para outros lugares em que as relações sociais possibilitem, quem sabe, uma transformação global, que acabe por fim com as secas fabricadas. Graciliano constrói uma personagem detentora de dois planos que se complementam, mas que habitam lugares diferenciados na estrutura narrativa. Sinhá Vitória é a mulher de Fabiano, forte, lutadora, zelosa com acasa e os filhos, mas, acima de tudo, é aquela que oferece à autoria a possibilidade de diálogo com as teses políticas da esquerda, que se apresentavam na época, para solucionar a exploração dos trabalhadores do campo. Discutimos, ainda, a forma de analisar o texto literário, a partir da compreensão da obra de arte, como um reflexo que cria uma particularidade, conceito este proposto por Lukács na Estética.
A particularidade estética em Vidas Secas, de Graciliano Ramos -
Belmira Magalhães
Instituto Lukács
2015
133 páginas
4h 26m
ISBN-13: 9788565999311
Português Brasileiro
Edições (1)
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