O referente errante propõe um outro T. S. Eliot, muito diferente do paladino da reedificação da ordem pela perfeição estética. Em vez de escritor reformador, ou reformador escritor, Eliot transforma-se em um enigma. As notas que deveriam explicar e ordenar os quadros díspares de The Waste Land realizam o contrário: remetem a outros textos, suscitam outras questões, criam outros problemas. Sua posição torna-se de difícil localização, pois não mais podem ser tidas como um complemento exterior, uma espécie de elucidação de autoridade, nem como parte rigorosamente interna do poema. Cechinel argumenta convincentemente que Eliot, ao parecer asseverar, esquiva-se, que ao invés de pontífice é um expert em máscaras. O resultado final aproxima o autor do esteticismo, que afinal foi uma de suas influências, mas também o liga à desconstrução – o que aponta para um interessante parentesco entre o movimento literário e o filosófico. No bojo de O referente errante está uma noção de negatividade estética como aquilo que recusa o processo de predicação da crítica através das tentativas de formação de sentido.
O referente errante - The Waste Land e sua Máquina de Teses
André Cechinel
Editora Argos
2018
142 páginas
4h 44m
ISBN-13: 9788578972202
Português Brasileiro
Edições (1)
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