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    Erguer a voz - pensar como feminista, pensar como negra

    bell hooks

    Elefante
    2019
    376 páginas
    12h 32m
    ISBN-13: 9788593115257
    Português Brasileiro
    4.6
    193 avaliações
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    “Enfrentar o medo de se manifestar e, com coragem, confrontar o poder, continua a ser uma agenda vital para todas as mulheres”, escreve bell hooks no prefácio à nova edição de Erguer a voz. Na infância, a autora foi ensinada que “responder”, “retrucar” significava atrever-se a discordar, ter opinião própria, falar de igual pra igual a uma figura de autoridade. Nesta coletânea de ensaios pessoais e teóricos, em que radicaliza criticamente a máxima de que “o pessoal é político”, bell hooks reflete sobre assuntos que marcam seu trabalho intelectual: racismo e feminismo, política e pedagogia, dominação e resistência. Em mais de vinte ensaios e uma entrevista, a autora mostra que transitar entre o silêncio e a fala é um gesto desafiador que cura, que possibilita uma nova vida e um novo crescimento ao oprimido, ao colonizado, ao explorado e a todos aqueles que permanecem e lutam lado a lado, rumo à libertação.

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    Rodrigo | @muitacoisaescrita picture
    Rodrigo | @muitacoisaescrita03/02/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O poder de nossas vozes

    Nenhum discurso é neutro. Quando falamos, contamos nossas histórias, nossas narrativas, nossos pontos de vista, nossas vivências, etc, e causamos desconforto. Desconforto é incômodo necessário. Especialmente para mulheres negras e mulheres de minorias étnicas no geral, suas vozes foram silenciadas sistematicamente. Como podem falar? Em "Erguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra", bell hooks nos conta esse processo, nomeado por ela como autorrecuperação, onde o oprimido conta sua própria história, através de sua voz, através de seus próprios pontos de vista e experiência - coletiva ou individual. No prefácio à edição brasileira, Mariléa de Almeida faz um comentário importantíssimo: "[...] nascer mulher e negra em 1952, no sul dos Estados Unidos, significava vir ao mundo em um tempo e espaço em que dizer o que se pensa era considerado inadequado. [...] As hierarquias construídas sob as diferenças de raça, classe e gênero, ou seja, os 'sistemas interligados de dominação', definiam não apenas quem podia falar e onde falar, mas sobretudo o conteúdo desse dizer". O que é permitido mulheres negras falarem, levando em consideração o cisheteropatriarcado capitalista de supremacia branca? Erguer a voz contra esse sistema, portanto, torna-se um ato político. "A linguagem é também um lugar de luta", pois "o oprimido luta na linguagem para ler a si mesmo - para reunir, reconciliar, renovar". bell hooks cita e dialoga com Paulo Freire em diversos ensaios, especialmente utilizando "Educação como prática da liberdade". O livro não é tão academicista, no sentido de trazer grandes análises políticas, sociais ou econômicas; no entanto, é igualmente importante pois trás experiências pessoais de bell hooks e seu ponto de vista. Fala-se sobre o feminismo e como o movimento ajudou bell hooks a se autorrecuperar, sobre pedagogia, a experiência de hooks em Yale, a violência em relacionamentos íntimos, militarismo e imperialismo, sobre a homofobia, e mais. bell hooks também olha pro passado, para o seu 1º livro, e o processo árduo para sua publicação. Demorou anos para que ele fosse publicado, e só o foi porque, finalmente, a supremacia branca em movimentos feministas resolveu sentar e escutar a experiência de mulheres não-brancas. "E eu não sou uma mulher?", o primeiro livro de hooks, para ele, foi sobre autorrecuperação: escrever sua história e a história das suas, a necessidade de compreender a experiência das mulheres negras nos Estados Unidos, a vontade de erguer a voz.

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    Gloria Jean Watkins  profile picture

    Gloria Jean Watkins

    bell hooks é o pseudônimo de Gloria Jean Watkins, escritora norte-americana nascida em 25 de setembro de 1952, no Kentucky – EUA. O apelido que escolheu para assinar suas obras é uma homenagem a tataravó Bell Blair Hooks. A justificativa do nome ser escrito todo em letra minúsculas, é servir a duas funções: distinguir-se de sua parente homenageada, e estabelecer a importância do conteúdo de seus textos em comparação com a sua biografia. bell hooks usou a própria vida como fonte dos seus primeiros estudos sobre raça, classe e gênero, sempre buscando nesses três elementos, os fatores da perpetuação dos sistemas de opressão e dominação. A autora, feminista e ativista social assumida, foi premiada com um 'The American Book Award', um dos prêmios literários de maior prestígio em seu país. Entre as influências de hooks, além de Martin Luther King, Malcom X e Eric Fromm, figuram a feminista Sojourner Truth (cujo discurso 'Ain't I a Woman?' inspirou uma das obras de hooks), o educador Paulo Freire, o teologista e padre dominicano Gustavo Gutierrez, Lorraine Hansberry, o monge Budista Thich Nhat Hanh, o escritor James Baldwin, e o historiador guianense Walter Rodney.

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    Kentucky, Estados Unidos

    Gloria Jean Watkins