Nos 10 primeiros anos depois do fim da ditadura, entre 1986 e 1996, foram registrados 660 assassinatos no campo, mais do que as 625 mortes registradas em 21 anos de regime militar. Do massacre de Eldorado dos Carajás, justamente em 1996, até hoje, 197 pessoas foram assassinadas em conflitos somente no sudeste e sul do Pará, a área mais conflagrada pela disputa de terras no Brasil. Na democracia atual, o crescimento da violência no meio rural se deve ao esvaziamento das instituições estatais que lidavam (e ainda lidam, embora agora precariamente) com os pontos de tensão e atrito, diretamente no front. Sem a mediação do poder público, que continua tendendo a ficar ao lado dos mais fortes, porém agora de forma menos decisiva em função das condicionantes políticas, o vazio do Estado colocou os campos antagônicos em posições frontais. O resultado: mais violência. LÚCIO FLÁVIO PINTO


