"Se Picnic at Hanging Rock é real ou ficção, meus leitores devem decidir por si mesmos. Como o fatídico piquenique aconteceu no ano mil e novecentos e todos os personagens que aparecem neste livro estão há muito mortos, isso não parece importante".
Esse livro é considerado por muitos críticos um dos maiores clássicos australianos e como eu queria ver as adaptações (tanto o filme antigo como a minissérie da Amazon), eu escolhi ler o livro primeiro.
Nele nós somos imersos na Austrália, no dia de São Valentim no ano de 1900, onde as garotas do Colégio Appleyard farão um piquenique. Nós logo de cara conhecemos as meninas e as professoras, nos familiarizamos com o ambiente e com a montanha que bem no início já deixa de ser somente uma montanha e ascende como um personagem do livro, sempre solene, sempre nos observando, sempre tempestuosa, e como a montanha realmente existe é tão fácil visualizar o cenário e o acontecimento que a frase da autora sobre o livro ser real ou não realmente se torna um questionamento muito pertinente e talvez até empolgante (mas não do jeito psicopata).
A história acontece ao redor do desaparecimento de três meninas e uma professora, mas o livro não é sobre o desaparecimento, é sobre as consequências do desaparecimento. Eu entendi essa proposta, mas apesar de ter gostado do livro eu confesso que eu fiquei tão deslumbrada e assombrada com o mistério que assim que acabei a leitura eu comecei a pesquisar alternativas, teorias sobre o que aconteceu no dia do piquenique, e foi nesse momento que eu percebi que mesmo sentindo falta de um desfecho mais fechado talvez não tenha sido tão má ideia assim deixá-lo em aberto, mas isso não impediu de eu ter ficado um pouco decepcionada quando eu cheguei quase no final do livro e pensei "é, ela não vai solucionar isso não...".
Eu gostei muito do livro, é um livro que precisa ser entendido, é um livro sobre consequências.
"Tudo começa e termina no tempo e lugar certos"