Raízes do Mal -

    Maurice G. Dantec

    Sulina
    2009
    543 páginas
    18h 6m
    ISBN-13: 9788520505427
    Português Brasileiro

    Este é o último grande romance policial de ficção científica do final do final do século XX e o primeiro da era das redes informáticas. Um prenúncio deste século XXI. Raras vezes um escritor atingiu um tal patamar de fluência e de suspense mesclando crime – uma historia de serial-killer –, investigação policial e científica, desejo, paixão e filosofia. O leitor mergulha num mundo terrível, mas não quer nem pode sair. Precisa e deseja ir até o fim.

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    Fabio Shiva06/11/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    malvadas sincronicidades

    Essa leitura foi marcada por uma série de intrigantes sincronicidades. Desde a ascensão do bolsonarismo no Brasil, tenho feito “leituras de resistência” sobre sistemas totalitários em geral e sobre o nazifascismo em particular. Contudo, exaurido após ter lido recentemente as “Memórias do Cárcere” de Graciliano Ramos (https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2020/08/memorias-do-carcere-graciliano-ramos.html) e a chocante história em quadrinhos “MAUS”, de Art Spiegelman (https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2020/09/maus-historia-de-um-sobrevivente-art.html), resolvi relaxar lendo esse “inocente” romance policial francês, que me aguardava já há algum tempo. Imaginem, portanto, a minha surpresa ao me deparar com esse inusitado trecho na página 199: “O nazismo e as demais ideologias totalitárias sempre esquecem que dentro desse intermundo onde vivemos as regras da predação não poupam ninguém. Dedicando-se de corpo e alma às forças do mal e da entropia (os fascistas nunca esconderam a repulsão física que sentiam pela inteligência e pela complexidade), eles só poderiam acabar engolidos pela engrenagem que acionaram. Pois a inteligência é justamente o critério de seleção que fixa as regras da predação humana. Em todos os tempos, desde o aparecimento do homem, foram os indivíduos e as sociedades mais inteligentes que se impuseram na longa duração. Os trens da morte SS tinham prioridade absoluta sobre tudo que ainda pudesse se deslocar nas ferrovias da Reichsbahn, inclusive sobre o transporte de material da Wehrmacht para a frente russa, objetivo estratégico central. O empreendimento de exterminação industrial pôs fim ao empreendimento de conquista militar. Os nazistas quiseram mergulhar o mundo na escuridão e no nevoeiro. Foi na escuridão e no nevoeiro que eles desapareceram.” Um ditado que meu sábio pai costuma repetir diz a mesma coisa de forma bem resumida: “Os maus por si se destroem.” Assim seja, nos Estados Unidos, no Brasil e em todo o planeta. Confio que assim será, embora com muita frequência eu tenha experimentado um cansaço existencial diante de tanta gente burra e má arrotando sua arrogância tóxica, sem absolutamente perceber como é má a sua burrice (pois estão destruindo o planeta em sua ignorância) e como é burra a sua maldade (pois destroem a si mesmos junto com aquilo que almejam destruir). No que então eu acrescentaria, ao ditado de meu pai: os maus por si se destroem, mas enquanto isso não acontece eles dão um prejuízo danado... Encontrei outras sincronicidades, algumas delas desconcertantes, entre essas “Raízes do Mal” e meu primeiro romance, “O Sincronicídio” (https://caligo.lojaintegrada.com.br/o-sincronicidio-fabio-shiva): são ambas histórias policiais com mais de 500 páginas e mais do que um toque de ficção científica, inclusive com a participação de um super computador, doses cavalares de sangue e violência e até (vide citação acima) digressões alucinadas sobre os mais diversos assuntos. Ao terminar a leitura, ainda descobri que Maurice Dantec, assim como eu, era também músico e escritor. Que coisa! https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2020/11/raizes-do-mal-maurice-dantec.html

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