Este livro é uma delícia e, embora eu não esteja surpresa com esse fato, especificamente, estou com a habilidade com que a Anne Cross conseguiu construir a história e desenvolver a química do casal, tornando a narrativa extremamente sensual, mesmo que não exatamente hot, como tantas que encontramos por aí. Ainda não conhecia esse lado da escrita dela e simplesmente o amei demais. O desejo que esses dois demonstram um pelo outro, desde o primeiro encontro, me fez sentir altos calores enquanto lia. Milhares de brasas ardentes, literalmente, nesse caso (ok, esse foi sim um trocadilho proposital).
O livro começa alguns anos antes do primeiro volume de Sobre Amor e Lobos, Locksley, quando John ainda é um homem casado e capitão da guarda de Nottingham, mas que, por algum motivo, sente um grande vazio no peito e, em vez de viver verdadeiramente, está apenas acostumado a uma rotina enfadonha. Seu relacionamento com a esposa, Mary, é frio, sem qualquer sentimento de qualquer uma das partes, o que, ao menos é o que me parece, é mais culpa dela do que dele, que não faz o menor esforço para ser uma pessoa agradável e afasta a todos com seu jeito. Isso faz com que John a tire do castelo e viva com os filhos em uma casa numa região afastada da cidade. No entanto, ele continua visitando a mulher e os filhos e cuidando deles com dedicação. Aliás, os filhos são a única coisa boa resultante dessa união. Eu confesso que morri de pena do John, ele não merecia uma mulher como aquela.
Apesar da fachada de frieza, John é um homem atraente e que desperta o interesse de muitas jovens. E a nobre mais importante da cidade (ao menos é a impressão que eu tive), fiel aos princípios que regem o amor cortês, decide que é injusto que alguém como ele fique preso a uma vida sem paixão, sem desejo, sem fogo, quando existem tantas mulheres que dariam tudo para ter ao menos uma noite nos braços do belo capitão. Começa então a criar estratagemas para mudar esse quadro, o que não deixa John lá muito feliz. E é em meio a isso que seu caminho se cruza com o de Elizabeth, que vem para tirá-lo do marasmo e da rotina de vez.
Não quero dar spoilers, mas posso dizer que esses dois não são fáceis e passam por muita coisa antes de admitir o que sentem. É um verdadeiro jogo de gato e rato. Eles constantemente tomam atitudes que enfurecem um ao outro e, algumas vezes, arrumam formas não muito inteligentes de se vingar. Uma dessas ocasiões acaba resultando numa situação bastante complicada que eles precisam resolver juntos. É quando o convívio aumenta e a tentação se torna grande demais para que consigam resistir por muito tempo e, eventualmente, eles acabam se rendendo à paixão. Entretanto, esse não é o fim da história e eles ainda precisam passar por uma última provação antes de ficar juntos pra valer. Quem leu os demais livros, já faz uma ideia do que é.
Em algum momento, a história se mistura à dos outros romances, mas mostrada sob o ponto de vista do John, que é bem diferente. E eu achei engraçado ver o modo como ele enxergou tudo aquilo. Ver sua paciência ser testada pela Elizabeth e pelo Robert, enquanto tentava manter a postura fria e indiferente, foi maravilhoso, eu ri um pouquinho. Aqui temos um desfecho feliz, que me satisfez bastante, mas também sabemos que não foi o derradeiro final (redundância proposital), visto que a Elizabeth e o John com certeza continuarão a aparecer nos próximos livros da série. E eu mal posso esperar por eles