Estou tentando ter mais contato com livros em inglês e essa foi a leitura mais desafiadora até agora, tanto pela linguagem da autora, ao usar palavras um pouco mais rebuscadas, como pela característica da história, que se passa em outro planeta. Le Guin usa várias palavras próprias de um vocabulário alienígena, o que me causou um certo estranhamento, principalmente nas primeiras “sentadas”. Esse estranhamento foi diminuindo no decorrer da leitura, que foi ficando mais fluída, mas ainda assim sinto que é uma história que demora muito a engatar.
Definitivamente não foi um livro que eu devorei.
Fiquei reflexiva com vários diálogos e acontecimentos, mas também um pouco decepcionada com a forma pela qual as discussões de gênero foram feitas. sim, sei que tenho que levar em consideração ser uma obra antiga, mas mesmo assim esperava um pouco mais - até porque um dos principais motivos que me fizeram optar por esse livro, além de já querer conhecer a obra de Ursula Le Guin, foi por abordar discussões de gênero a partir de uma perspectiva de uma autora mulher.
Em Gethen (planeta onde se passa a história), na maior parte do tempo as pessoas não tem sexo biológico e nem gênero, e só manifestam a sexualidade no período de “Kemmer”, quando um órgão sexual se desenvolve e os desejos também.
No entanto, fiquei com a impressão de que a autora tentou criar estes personagens sem gênero, mas acabou representando vários estereótipos masculinos. não parecia uma história sem gênero, mas sem mulheres - inclusive, ao menos na versão em inglês o pronome usado para todos era o masculino.
Dito isso, eu amei o desenvolvimento dos personagens Genly Ai e Estraven - principalmente este último.
Apesar de tudo, vale a pena ler.