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    Dona Josefa -

    Ana Luísa Escorel

    Ouro Sobre Azul
    2019
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788588777880
    Português Brasileiro
    4.1
    4 avaliações
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    Em 1842 uma rebelião contra a política do ministério conservador de Pedro II, estourando na Província de São Paulo, se irradiou para Minas Gerais onde, por cerca de sessenta dias, os rebeldes enfrentaram o exército do barão de Caxias que veio a derrotá-los, como já havia feito com os paulistas três meses antes. O movimento ficaria conhecido como Revolução Liberal de 1842 e uma de suas figuras principais em Minas foi Josefa Carneiro de Mendonça, de família influente, dona de terras e de escravos, que assumiu a liderança da luta no Araxá e no oeste da Província aos 60 anos de idade, planejando golpes, aliciando, armando combatentes e dando todo o tipo de suporte aos revoltosos. Presa, passou quase três meses em uma solitária úmida e escura, foi julgada e inocentada graças à habilidade de seu defensor que fez convergir para um dos filhos – chefe revolucionário também – todas as acusações atribuídas a ela. Sobre Josefa pouco se conhece além das raízes familiares, da descendência numerosa e da mudança para Petrópolis com a família depois da derrota liberal em Minas. É essa história que o romance Dona Josefa recria e reinventa valendo-se de toda a liberdade que a imaginação literária permite. Primeira mulher a ganhar o Prêmio São Paulo de Literatura, Ana Luisa Escorel faz da personalidade incomum de Josefa o centro de uma narrativa emocionante na qual passado e presente se alternam oferecendo ao leitor um confronto permanente entre história e ficção, política e afeto, arbitrariedade e revolta. Entre a prepotência masculina e a força subterrânea da mulher.

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    Carla Parreira13/11/2024Resenhou um livro
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    Dona Josefa (Ana Luisa Escorel). A obra é baseada na vida de Josefa Maria Roquete Batista Franco Carneiro de Mendonça, que foi julgada em 1843, e a narrativa explora a complexidade das relações sociais e raciais da época, trazendo à tona questões emocionantes e reflexivas sobre identidade e pertencimento. O livro, lançado em 2019, narra a história de uma mulher real de Minas Gerais, que viveu em um contexto de casamentos arranjados e luta política. A trama se desenrola principalmente dentro de uma cela na cidade de Araxá, onde Dona Josefa reflete sobre sua vida enquanto está presa. Ela e seu marido pertencem a uma família abastada e se envolvem em movimentos pela libertação da monarquia. Durante sua detenção, ela estabelece uma amizade com Salvador, um outro preso, que compartilha sua história de vida e suas experiências de pertencimento. A narrativa destaca a força e a determinação de Dona Josefa, que, apesar das adversidades, se torna uma figura central nos negócios da família, desafiando estereótipos de gênero da época. A autora também contextualiza a história política do Brasil, enriquecendo a trama com detalhes sobre a luta contra a monarquia. A biografia de Ana Luisa revela que ela nasceu em 1944, em São Paulo, e foi uma das pioneiras do design no Brasil, tendo se formado na primeira geração de designers com formação superior.

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     Ana Luísa Escorel profile picture

    Ana Luísa Escorel

    Ana Luisa Escorel, designer, editora e escritora. Dedica-se à organização de sua categoria profissional por meio da participação em associações de classe e de artigos publicados em jornais e revistas. A partir dos anos 2000, há uma inflexão em sua trajetória, quando se afasta das questões de caráter coletivo e se concentra em ações de perfil mais pessoal, como a construção de sua editora e a atividade de escritora. Pertence à primeira geração formada pela Escola Superior de Desenho Industrial do Rio de Janeiro (Esdi), em 1968, onde estuda com professores como o designer Aloisio Magalhães (1927-1982), o crítico Frederico Morais (1936) e o escritor Zuenir Ventura (1931). Seu trabalho teórico de graduação, Brochura Brasileira: Objeto sem Projeto, é publicado pela José Olympio Editora em 1974. A obra é uma reflexão sobre a falta de cuidado com o projeto gráfico nos livros brasileiros do período, e aponta ainda a diferença de tratamento dada ao miolo e à capa. Ana Luisa inaugura uma longa trajetória de trabalho em torno do livro, seja como designer, editora ou escritora. Inicia a carreira de designer em 1968, como estagiária no escritório de Aloísio Magalhães. É professora convidada para a cadeira de projeto gráfico na Escola de Desenho EINA, em Barcelona, durante o primeiro trimestre de 1970, e trabalha como freelancer. Entre 1978 e 1982 leciona projeto gráfico no curso de design da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Em 1980, funda a A3 Programação Visual com as designers Evelyn Grumach (1952) e Heloisa Faria (1955), primeira empresa de design constituída exclusivamente por mulheres no Brasil, onde permanece até 1996. Neste período, desenvolve identidade visual para uma série de empreendimentos comerciais, como o restaurante La Mole e os postos de conveniência da Shell. O foco de seus projetos, no entanto, se concentra no setor cultural, em especial cinema, teatro e livros. É deste período o projeto para a exposição Drummond, Alguma Poesia (1990), no Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB-RJ), que tem características marcantes do trabalho de Ana Luisa, como a simplicidade do desenho, resultante de uma busca constante por apuro formal, e a construção de discursos nos quais palavra e imagem se apoiam e tendem a ser tratadas com o mesmo peso. De 1996 a 2002, a designer integra a diretoria da Associação de Designers Gráficos (ADG) como membro do Conselho Consultivo. Também com Heloisa Faria, funda o 19 Design em 1997, onde fica até 2003, concentrando-se cada vez mais no setor cultural, em especial no design editorial. É desse período a capa do livro Lado B (2001), do jornalista Sérgio Augusto (1942), na qual podemos perceber a economia de elementos gráficos, o domínio da técnica e o uso apurado da cor, que caracterizam o design de Ana Luisa. Em uma capa totalmente preta estão uma série de furos de mesmo diâmetro e equidistantes, através dos quais podemos ver cores primárias e secundárias. Para conseguir este efeito, a designer utiliza uma orelha da mesma medida da capa, com impressão no verso, e uma faca especial. O resultado remete aos LPs de vinil por causa do preto da capa e do diâmetro dos furos. E a possibilidade de visualizar as cores através dos furos traz a ideia de “outro lado”, ou seja, um lado B. Com este trabalho, Ana Luisa ganha o Prêmio da ADG. De 1997 a 2003, escreve regularmente para jornais e revistas sobre o campo do design no Brasil. O Efeito Multiplicador do Design (1999), com o qual obtém o primeiro lugar na categoria Ensaio, do Prêmio Museu da Casa Brasileira, é resultado dessa experiência. Publicado pela Editora Senac, o livro reúne textos que apresentam a indignação de Ana Luisa com o pouco caso com que a atividade de desenhista gráfico e seus profissionais são tratadas no Brasil, buscando indicar rumos possíveis para a atividade. Participa de exposições de design gráfico no Brasil, nos Estados Unidos (EUA), na Alemanha, Itália, França e em Portugal, e também de várias edições da Bienal de Design Gráfico de Brno, na República Tcheca. Seus trabalhos são publicados por revistas como Print (EUA), Novum (Alemanha), Idea (Japão) e Projeto (Brasil). Em 2004 funda, com a também designer Laura Escorel (1975), a Ouro sobre Azul Design e Editora, incorporando a edição de livros às suas atividades como desenhista gráfica. Com foco na reedição da obra completa do crítico literário Antonio Candido (1918-2017) revista pelo autor, reúne títulos que se encontram dispersos por várias editoras ou fora de catálogo. Sua primeira experiência literária, O Pai, a Mãe e a Filha (2010), texto memorialístico no qual revela a paixão pela infância vivida na São Paulo dos anos de 1940 e 1950, tem como característica marcante a mistura de vozes entre a menina, personagem principal do livro, e a autora. A estratégia de construção narrativa, não citando o nome de seus pais, Gilda de Mello e Souza (1919-2005) e Antonio Candido, colabora com a construção de uma escrita autobiográfica feita em terceira pessoa. Com o livro seguinte, o romance Anel de Vidro (2013), torna-se a primeira mulher a ganhar o Prêmio São Paulo de Literatura. Mantendo a atividade de designer em paralelo ao trabalho como escritora, em 2016 ganha o 1º lugar do Prêmio Jabuti, na categoria Projeto Gráfico, com o Livro dos Ex-Libris (2016). No tocante à escrita, podemos dizer que a temática da artista muda completamente a cada livro, assim como a estrutura narrativa. Mas tanto na relação com o texto literário quanto com o design, o trabalho de Ana Luisa Escorel obedece a uma evidente busca por apuro formal.

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    São Paulo, Brasil

    Ana Luísa Escorel