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    Boa noite, Amazona -

    Manoel Herzog

    Alfaguara
    2019
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-13: 9788556520852
    Português Brasileiro
    3
    19 avaliações
    Leram23Lendo0Querem30Relendo0Abandonos1Resenhas4
    Favoritos1Desejados30Avaliaram19

    Com uma prosa ágil, ácida e irônica, Manoel Herzog desponta como uma das vozes mais distintas da literatura brasileira contemporânea. Em Boa noite, Amazona seu estilo único se alia a um personagem inusitado que reflete a dicotomia de um país. O narrador desta “saga” amazônica é um economista de esquerda que trabalha para um grande banco privado. É contra o aborto e a pena de morte, mas se recusa a dar os mínimos direitos trabalhistas ao caseiro do sítio em que mora. Participa de confrarias e seitas, é membro da maçonaria. Diz ser humanista, mas perde a cabeça quando um mutuário de empréstimo consignado não consegue pagar as dívidas. Agora, aos 49 anos, passa por uma crise aguda. Divorciou-se da mulher, o pai morreu. Queria ser escritor, mas não consegue produzir nada digno de nota. Pelas madrugadas, acorda chutando os lençóis, e é diagnosticado com a chamada Síndrome das Pernas Inquietas. Uma “bruxa-espanhola” lê seu destino no tarô e lhe diz que sua salvação está na floresta. É a partir daí, guiado pelas cartas, que ele decide empreender uma viagem ao coração da Amazônia, onde espera se perder ― e se reencontrar. Em Boa noite, Amazona, Manoel Herzog cria um romance original, que mergulha fundo nas dicotomias de um indivíduo e nos absurdos de um país.

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    Resenhas (4)Ver mais
    Tiago Germano picture
    Tiago Germano02/05/2020Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O pícaro sonhador

    Talvez por uma tentativa de desconstruir um dos maiores estereótipos de nosso imaginário cultural como nação, a tradição romanesca contemporânea, no Brasil, é profundamente mal humorada. São raros os autores que vão de encontro a isso: Vanessa Bárbara, Juliana Frank, Reginaldo Pujol Filho, Jacques Fuks... O paulista Manoel Herzog é um dos exemplos mais emblemáticos. Sua prosa é lírica, de um lirismo só seu, com um pé fincado na poesia e outro no humor. Não que "Boa Noite, Amazona" seja sempre engraçado. Ouso dizer, inclusive, que ele é melhor quando não consegue ser - ou quando este humor se desloca do trocadilho ou de outros artifícios de linguagem para pousar nos episódios da narrativa: como a hilária narração do desligamento do herói desta história, um bancário de esquerda, do banco em que trabalhava. O protagonista da novela é, aliás, extremamente controverso. Não apenas faz parte das engrenagens capitalistas como tem a índole violenta, e luta contra esta e outras heranças polêmicas da perniciosa "cultura da heteronormatividade". Divorciado da mulher e abalado pela perda do pai, sofrendo de uma agônica síndrome das pernas inquietas, ele abre uma exceção na sua suassunesca alergia ao turismo para embarcar numa viagem até a Amazônia. A jornada é metade carnal, metade espiritual: as transições entre as andanças pela selva e as memórias do personagem são suaves e imersivas (atenção à epifania diante de um caldeirão, supostamente servido com carne de macaco), bem como aquelas que se dão entre o plano físico e o espiritual (o encontro do personagem com os seus fantasmas - o do pai morto e a ex - é outro ápice da narrativa). O desfecho, após as pazes simbólicas com estas figuras, vai nesta mesma toada. O livro é curto - quase um aperitivo para o universo de Herzog (muito melhor exposto em seu romance anterior, "A Jaca do Cemitério É Mais Doce) - mas se sustenta, e consegue driblar com muita criatividade os clichês de um tipo de literatura (esta de um existencialismo masculino, boêmio e bukowskiano) que começa a dar seus primeiros estertores.

    6 curtidas

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    3 / 19
    • 5 estrelas5%
    • 4 estrelas16%
    • 3 estrelas47%
    • 2 estrelas26%
    • 1 estrelas5%
    Manoel Herzog profile picture

    Manoel Herzog

    Manoel Herzog nasceu em Santos, São Paulo, em 1964. Criado na cidade de Cubatão, trabalhou na indústria química e formou-se em direito. Estreou na literatura em 1987 com os poemas de Brincadeira Surrealista. Entre outros livros, é autor dos romances Os Bichos (2012), Companhia Brasileira de Alquimia (2013), O Evangelista (2015) e o livro de poesia A Comédia de Alissia Bloom (2014), terceiro lugar no prêmio Jabuti.

    13 Livros
    6 Seguidores

    Manoel Herzog