Brutal. Perigoso. Distorcido. Esse é o tom do romance que encontramos na obra de Mary C. Gebhard. Escrito à partir da desconstrução do conto A Bela e a Fera, essa duologia conseguiu com um tema particularmente difícil, ser bem executada e muito bem escrita. Temos um romance completamente desestruturado, onde os personagens principais não são os arquétipos que temos por base, e sim duas pessoas deturpadas e que transitam pela ilegalidade.
Começando a partir dos eventos finais do primeiro livro, Frankie descobre que trocou uma prisão por outra pior. Apesar de ter sido resgatada e não estar mais em posse de Anteros, percebe que a tal sonhada liberdade está cada vez mais distante. Sua avó não é tão doce como aparenta, e pior: sente falta de Anteros. Esse por sua vez, no decorrer do primeiro livro, ficou tão consumido por Francesca, que não percebeu que tudo pelo que lutou, estava desmoronando aos seus pés. Nesse volume temos então, a Besta lutando para voltar ao poder, e Frankie tentando sobreviver em meio a esse jogo.
Agora reconhecida como Princesa da máfia, já que parte de sua origem foi descoberta, e ela é uma descendente da família original, Frankie percebe que essa condição é somente um título. Usada como símbolo da máfia, não passa de mais uma peça manipulada de acordo com os interesses de sua avó. Enquanto tenta buscar a verdade sobre suas origens, ela se depara com uma teia de mentiras perpetuadas de geração a geração.
E é nesse volume que vemos que Frankie não é tão boa como se mostrava. Ela é obscura. Muito mais que Anteros. Enquanto ele foi se tornando assim, era espancado pelo pai, abusado pela mãe, foi morar na rua e foi regatado pelo chefe principal da máfia, ou seja, isso é tudo o que conhece, Frankie foi criada normalmente. Sua mãe morreu quando era jovem, seu pai não se importava, mas vivia no mundo real, tinha valores e ensinamentos familiares. Então o fato dessa vida a atrair, de gostar do poder, do lado obscuro, das mortes, do sangue, me mostra que o verdadeiro perigo é ela.
Anteros por outro lado está em uma situação complicada. Viu seu império ruir. Não possui mais o prestígio de antes, em parte por más decisões ou falta delas. Está ameaçado por Lucia, sua relação com os seus capangas não é mais a mesma, tem que lidar com a certeza de que existe um traidor entre seus homens e ainda continua completamente obcecado por Frankie.
Não conseguindo mais negar o que sentem um pelo outro, os dois se entregam a essa paixão e decidem reinar juntos, derrubando seus inimigos e conquistando todo o poder. O caminho até o objetivo é longo, sangrento, assustador, recheado por mortes e por reviravoltas.
Não conhecia a autora, não é um tema que costumo ler, mas me surpreendeu positivamente. Conseguiu me prender, fiquei muito curiosa ao longo dos capítulos, e até cheguei a torcer para que Anteros escapasse em algumas situações. Confesso que no fim até consegui aceitar a relação dos dois. Recomendo a leitura.
Chocante: Enquanto a maioria da mulheres ficam felizes em receber flores e chocolates, Frankie fica radiante com um presente inusitado: uma caixa com uma pessoa retalhada dentro. Definições de psicopata atualizadas.
Chocante 2: Gabby não aprendeu nada tantos anos na máfia. Continua um peão.
Marcante: A cena na igreja. Anteros ouvindo a confissão. Tudo bem que houve um grande mal entendido, mas o fato dele ir somente pelo fato dela tê-lo chamado pois precisava dele, é fofo.