Literalmente, em todos os pesadelos que apareceram até agora — em seis de cada cinco, se bobear — ela é citada como o maior pesadelo da vida dele.
E por quê? Porque ele não superou ter sido largado no altar. Não superou porque ele é apaixonado por essa mulher. Ele ama essa mulher. Provavelmente foi uma das únicas pessoas que ele amou de verdade na vida inteira.
Ele tem quinhentos mil pensamentos intrusivos e pesadelos estranhos:
— cenários em que ele perde ela;
— cenários em que finalmente tem uma vida segura e confortável ao lado dela e tudo dá errado;
— cenários em que ele tem o final feliz com ela, mas mesmo assim algo falta.
E em todos eles existe a mesma cobrança martelando a cabeça dele:
que ele deveria ter dito mais vezes que a amava,
que deveria ter reafirmado que queria ficar com ela,
que talvez tenha falhado,
que talvez ele seja o problema.
A gente vê isso claramente pelo subconsciente dele. Pelos pesadelos. Ele se culpa. Ele se questiona. Ele tenta entender o que faltou, o que ele não fez, por que ela foi embora, por que ela não entendeu.
E o mais irônico é que, quando a gente vê o lado dela, tudo fica claro:
ela foi embora porque acredita que, se ele for feliz, ele não vai conseguir ser o Batman.
E ser o Batman é uma das coisas mais importantes da vida dele. É uma fantasia criada na infância, um mecanismo de sobrevivência, algo que literalmente o mantém vivo.
Ou seja: isso é a maior prova de amor possível.
Ela abriu mão de ficar com o homem que ama porque acreditou que isso era a única forma de ele continuar existindo.