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    Memórias Sentimentais de João Miramar (Mestres da Literatura Brasileira e Portuguesa) -

    Oswald de Andrade

    Record/Altaya
    1995
    107 páginas
    3h 34m
    ISBN-10: 850115931X
    Português Brasileiro
    3
    702 avaliações
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    Desde sua publicação, em 1924, Memórias sentimentais de João Miramar vem sendo saudado como um dos textos mais instigantes da prosa brasileira. Construído a partir de 163 fragmentos de gêneros diversos, o romance de Oswald de Andrade é um dos abre-alas do modernismo e um precursor das poéticas contemporâneas. O romance retraça a vida de João Miramar, uma espécie de caricatura do homem das classes mais favorecidas - herdeiro da cultura do café, fascinado pelas coisas estrangeiras, distante do cotidiano brasileiro. É uma sátira, selvagem e por vezes melancólica, do veio memorialista da literatura brasileira, em que os filhos das famílias mais abastadas reescrevem sua própria trajetória.

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    Lucas Rabêlo12/06/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    João Miramar, o poeta na prosa.

    João Miramar era um poeta na prosa. Ou antes, Oswald de Andrade o era. Lançado em 1924, a obra deu o pontapé no que iria sacolejar a pretensa safra literária modernista do primeiro período. Joãozinho é apreciador da doleta monetária, uma das modéstias que um homem de sua estirpe representa àquele presente (ou passado, agora): os ajeitados sociais que continham necessária vontade de parafrasear suas vivências quase feudais. Vívido pela herança cafeeira, passagem pela Europa, casamento bem posto com Célinha, e por fim, nos entraves empresariais com uma indústria fílmica precária - de bandeja, uma amante italiana -, Miramar não soa completamente janota, ele é satirizado pelo seu criador ao mesmo tempo que o restante da sociedade paulistana pós-monarquia. Nos 163 fragmentos-neologistas, Oswald ousou como prometeu em seu manifesto-quase-mandamento Pau-Brasil, ao inteirar a linguística em um único quadrado: pontuações, nexo, formalismos, a sintaxe?, às favas. Oswald deixou João se lançar nas letras, a graça é esta, a metalinguagem memorialística da sua invenção, e este homem pormenorizado que inculta e prescreve o coloquialismo na ponta da língua, desconectando sentenças para soarem líricas, até, representa mais uma inovação estilística na literatura, cuja cadência procuraram os modernistas ultrapassar, que um romance comum: cabe o status de experiência. Essa escolha narrativa desconstrói o modelo tradicional de memórias, aproximando-se de uma "memória ficcional" que questiona a autenticidade e a linearidade da experiência pessoal (MARTINS, 2008). Porém, nem sempre será sobre todos nós, como o autor premeditou.

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