A nascente monarquia brasileira enfrentou diversas revoluções, rebeliões, revoltas, em resumo, enfrentou constante insatisfação por parte, não da população, mas de elites locais que, de uma forma ou de outra, viram seus privilégios serem ameaçados.
Conheço pouco dos fatos desta época, mas o pouco que conheço da Revolução Farroupilha e, agora, da Revolução Praieira vejo que o termo revolução não é muito adequado a estes movimentos. Revolução, para mim, pressupõe forte participação popular no movimento de revolta contra o poder instituído e não é isto que se vê na Revolução Praieira.
Da mesma forma, não aceito que o golpe militar de 1964 seja denominado revolução. Tanto no golpe desferido contra João Goulart como nas Revoluções Farroupilha e Praieira o que se vê é parte da elite local rebelar-se contra uma situação política que caminha para a retirada de benefícios aos quais esta elite se julga no direito de manter.
Nestes movimentos, o povo é mera massa de manipulação, é utilizado como “bucha de canhão” nos enfrentamentos militares, mas não são os beneficiários dos movimentos. Esta situação ficou muito clara neste livro.
O subtítulo deste livro já diz o que foi a Revolução Praieira, uma “resistência liberal à hegemonia conservadora em Pernambuco e no Império.”
Posso estar enganado em minha análise, afinal, não sou historiador e tampouco professor de História do Brasil, mas esta é a impressão que ficou ao ler este livro.
Quanto ao livro em si, achei muito bem escrito, tendo a autora se mantido imparcial e, principalmente, com a utilização de enxertos (quadros) no texto buscando esclarecer os leitores de certos fatos históricos relevantes para o melhor entendimento do assunto tratado.
Se você gosta de ler sobre a história do Brasil, você vai gostar deste livro.