-- Esta resenha foi publicada originalmente e com algumas alterações, no melhoresdomundo.net --
<I>"Powers - Quem matou a Garota-Retrô?"</i>, lançado aqui pela Devir em 2005, compilou os seis primeiros números da série capitaneada pelo quase sempre onipresente Brian Michael Bendis e com desenhos de Michael Avon Oeming. Custando a bagatela de <B>R$40,00</b> por <B>144 páginas</b>, todos os elogios e prêmios (a série ganhou o <B>Eisner</b> em 2001) não foram suficientes para me atraírem para o material. Provavelmente a leitura de "Powers" ficaria renegada ao dia em que eu trombasse com o álbum num sebo da vida - até que veio a santa Gibiteca e me salvou da ignorância!
"Powers" narra a história de uma recém formada dupla de detetives, Christian Walker e Deena Pilgrim, numa cidade já há muito acostumada a ter seres super-poderosos singrando os céus. Isso até que a maior delas, a Garota-Retrô, aparece morta no pátio de uma escola (e não num beco imundo, como escreveu o elogioso Bugman numa outra resenha), cabendo a Walker e Pilgrim a investigação. No meio disso tudo, vamos sabendo um pouco mais sobre o universo da série e principalmente sobre um de seus protagonistas, o grandalhão Christian Walker.
Cara, como eu disse, pra todo lugar que se procura, "Powers" é só elogios. <B>Melhor série nova</b> de 2001, <B>nota dez</B> pelo Bugman (ok, não vale muita coisa), <b>quatro balõezinhos</b> no Universo HQ (dos cinco possíveis), ser do Brian Michael Bendis, <B>estar virando série de Tv</B>... Enfim, deveria ser um novo clássico da 9ª Arte, né?
À medida que fui lendo, fiquei pensando se eu não era algum tipo de idiota que não conseguia apreender toda a genialidade do material. No final, eu só tinha uma certeza: "Powers" é uma daquelas séries que não tem nada, absolutamente <B>NADA demais</B>, mas que as pessoas vão endeusando só para não ficarem deslocadas. Em miúdos, da parte dos roteiros, a trama é rasa e simplória, sem grandes atrativos nem grandes prejuízos - lançada num encadernadinho de R$19,90, podia até divertir. Agora, do ponto de vista da arte... <B>Pelos bigodes da sua avó</B>, "Powers" é ruim demais da conta, sô! Santo deus, que trabalho amador! Não é atoa que seja o único trabalho de destaque de Michael "Avon chama!" Oeming! Seu Christian Walker não passa de uma cópia feita na folha de seda do Bruce Wayne da fase <I>"The New Batman Adventures"</i> da <I>"Batman The Animated Series"</i>. Sua repetição de quadros por página é irritante (em alguns momentos você fica com a impressão de que está vendo um daqueles "desenhos desanimados" da Marvel), sua diagramação, narrativa e expressões faciais são, na melhor das hipóteses, amadoras, no nível do fanzinezinho mais vagabundo que você tenha lido xerocado.
No fim, o álbum vale a leitura? Velho, se você tiver outra coisa mais interessante pra ler, não vale não. Agora, se a outra leitura de banheiro possível forem aquelas revistas "NOVA" e "Casa & Comida" que a sua mulher assina, então... Fique com "Powers". Agora o preço... De preço, "Powers" nunca valerá o que foi cobrado. Por isso eu oro a Zeus para que dê vida longa e próspera à Gibiteca de BHCity, por ter me salvado dessa roubada!