O imaginário macabro: Idade Média - Romantismo -

    Juliana Schmitt

    Alameda
    2018
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788579395260
    Português Brasileiro

    O discurso literário e as artes visuais exprimem, em maior ou menor grau, as respostas de uma época a certas demandas. Quando as imagens de corpos em decomposição invadem a poesia e a iconografia medieval no século XIV, a devastação causada pela Peste Negra, que expunha a corrupção da morte física, ainda latejava nas mentalidades da época. (…) essa foi apenas a ponta aparente de um fenômeno maior, de valorização da vida material e afastamento de algumas certezas sustentadas pela fé. Essa noção se aprofundaria ainda mais às vésperas do triunfo burguês revolucionário. No final do século XVIII, a percepção do óbito como extinção da existência se tornava ainda mais contundente e o macabro ressurge em todo seu esplendor, como elemento crucial da preocupação com a finitude.

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    fabiofnobre17/02/2026Resenhou um livro
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    Um história estética do horror

    Ao ler O Imaginário Macabro, de Juliana Schmitt, você mergulha em uma análise profunda e fascinante sobre como a morte e o medo foram moldados pela cultura ocidental. A obra não se limita ao susto fácil; ela disseca as raízes do gótico e do horror, explorando como as representações do além e do sombrio refletem as ansiedades de cada época. Com uma escrita erudita e, ao mesmo tempo, acessível, você percebe que o livro funciona como um espelho de nossas próprias sombras, revelando que o "macabro" é, na verdade, uma construção social indispensável para entendermos a condição humana. A estrutura da sua leitura flui por entre ícones literários e visuais, conectando a melancolia do século XVIII às obsessões contemporâneas pelo mórbido. Talvez seja melhor entendida como uma historiografia das danças macabras ou, ainda melhor, da estética do horror. Schmitt consegue transitar entre a academia e o entretenimento, provando que o fascínio pelo que nos apavora é o que mantém viva a nossa curiosidade sobre o desconhecido.

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