Grava-me como selo sobre teu coração - Teologia Bíblica Feminista

    Ivoni Richter Reimer

    Paulinas
    2005
    130 páginas
    4h 20m
    ISBN-10: 8535615822
    Português Brasileiro

    O livro trata da Teologia Bíblica Feminista, haja vista que Deus tem a ver com a vida que ele criou, conforme reza a Bíblia nas suas primeiras páginas: "Deus criou o ser humano a sua imagem e semelhança, mulher e homem ele os criou" (Gn 1,27).Nesse sentido, ele está comprometido com a luta por vida digna para todas as pessoas. A autora é muito feliz ao dizer: "Gosto de perceber a Bíblia como um coro de muitas vozes ou como uma pintura de mutias cores. Nela, existem vozes desafinadas entre si, ou cores contrastantes, nem sempre harmônicas. Isto é assim porque se trata de testemunhos históricos e da fé de pessoas que vêm de culturas distintas, que são de diferentes etnias, classes, idades e gêneros... O que temos é uma polifonia, um multicolorido! É por isso que também faz bem escutar todas essas vozes e observar todas as cores, principalmente as vozes que estão silenciadas e as cores que estão escondidas, a fim de percebermos a grande maravilha presente na multiforme obra de Deus."

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    Nivia Oliveira25/06/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Em tempos de empoderamento feminino, Ivoni Richter Reimer comprovou, no livro Teologia Bíblica Feminista, com fundamentos da bíblia e textos apócrifos, que existiam mulheres corajosas, inteligentes e cheias de fé. Eu fiquei surpresa porque o que sempre aprendemos é que as mulheres, seja no Antigo ou no Novo Testamento, eram oprimidas pelo sistema patriarcal; não tinham vez na vida eclesiástica; cujo corpo era apenas um “vaso”; eram discriminadas como as crianças e deficientes; eram vendidas para saldar dívidas ou contratadas como objetos de casamento. Sim, isso tudo é verdade, mas a autora mostra que houve sim participação decisiva das mulheres na história do povo de Deus. Basta uma interpretação mais acurada utilizando experiência de vida. E o mestre Jesus sempre acolheu as mulheres e as protagonizou em suas parábolas como crítica aos modelos de dominação. (Pedras na adultera, oferta da viúva, mulher hemorrágica, dragma perdida, mulher do olho de nardo, etc) As parteiras, por exemplo, eram um símbolo de esperança libertadora quando reis mandavam matar as crianças recém-nascidas: eram protagonistas de desobediência. Rainhas como a de Sabá e Ester; mulheres profetizas (Miriam, Débora e Hulda); mulheres sábias como Tecoa e Abel; mulheres líderes como Marta, Tábata e Lídia; mulheres que optaram pelo celibato (Tecla e Joana). E o que dizer de Maria! Imagine aparecer grávida do Espírito Santo?! Dá para imaginar quanto preconceito ela sofreu até se tornar discípula de Jesus. Em suma, sempre houve uma mulher tentando se libertar da opressão e da pobreza e sobretudo sendo modelo de fé. Hoje em dia ainda é preciso reforçar que gênero depende da cultura e não da biologia sexual. Buscar a justiça e o cuidado para toda criatura ainda faz parte do projeto do Reino de Deus. O caminho ainda é transgredir, ainda que com pequenos passos e a fé pode ser uma grande motivadora.

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