Não há muito o que falar sobre A Moreninha: trata-se de uma obra sustentada quase que completamente pela sua importância histórica - e, neste sentido, é uma leitura curiosa, pois traduz com eficiência o imaturo espírito do Romantismo brasileiro. O texto de Joaquim Manuel de Macedo é como uma fotografia de um tempo bem distante. Um livro bobinho e, para muitas pessoas, beira o ofensivo - de tão ingênuo.
Devo dizer que não odiei a experiência. Na verdade, apesar de todo o perfil estereotipado, achei A Moreninha um livro agradável. A narração é bem dinâmica - varia entre o narrador onisciente e o narrador personagem - e o desfecho é inteligente (com a metalinguagem explícita).
Ao longo de minha leitura, o meu real incômodo se deu pela percepção cultural aplicada sobre uma garota de 14 anos, idade de Carolina (a Moreninha); precisei forçar bastante a minha cabeça para comprar a ideia de uma adolescente sendo tratada como uma mulher formada. E aqui fica um toque: tenham em mente que se trata de uma obra do século XIX - e certos valores daquela época devem ser problematizados, sim, mas também devem ser contextualizados.
Praticamente uma novela das seis. Uma leitura com pouca profundidade, mas com certo valor para além de seu papel histórico.