Fiquei feliz ao me deparar com um novo livro que divide o universo de "Feios", uma série de distopia do mesmo autor que li lá em 2014 e curti bastante. Essa série surgiu na época em que tivemos o boom das distopias, com Divergente, Jogos Vorazes e O Teste e, e em "Feios", o autor nos traz uma sociedade altamente tecnológica em que avançamos tanto com a tecnologia, que, quando os adolescentes completam 16 anos, têm o direito de fazer uma cirurgia para se tornarem bonitos. Perfeitos. É uma sociedade altamente tecnológica que usa essa tecnologia para reforçar a ditadura da beleza e da perfeição.
Em “Impostores” o autor revisita esse universo complexo e distópico com nossa protagonista - Frey -, e sua irmã gêmea, Rafi. Essas garotas não vivem como irmãs "normais"; filha de um importante governador, Rafi - que nasceu mais velha por uma diferença de 26 minutos da Frey - foi criada como a filha perfeita, oradora, representante do governo, uma embaixatriz perfeita do governo. Já Frey foi criada longe de todos, treinada desde criança para matar e agir como uma dublê da irmã mais velha, substituindo-a em situações de perigo e sendo instruída, desde criança, a se sacrificar pela irmã mais velha.
Gostei bastante de retornar ao universo de "Feios". Extremamente leve e rápido de ler, o livro me entreteve e manteve interessada na história. Também gostei que o autor explica os acontecimentos e descreve as cenas de uma forma objetiva e dura, sem ficar floreando muito as coisas. Assim, mesmo que um pouco rasa às vezes, a história fica muito dinâmica e com uma frequência constante de acontecimentos.
Porém, em alguns momentos senti que essa dinamicidade e velocidade na história se refletiu de forma negativa. Às vezes, senti que as coisas foram tão rápidas que nem deu tempo de eu absorver ou deixar o cérebro decantar. Isso se reflete claramente na personalidade de Frey, a protagonista, que em alguns momentos é uma pessoa madura com habilidades incríveis e instintos de liderança, para no momento seguinte "regredir" e se comportar como uma adolescente apaixonada e um pouco obcecada (como toda adolescente de 16 anos parece ser).
Gostei da atmosfera política e distópica que aparece em "Feios" e aqui também, principalmente no que concerne aos aspectos tecnológicos. Partindo de aparelhos que nos deixam conectados com os feeds 24h por dia e passando por pranchas voadoras, comidas desidratadas e redes sociais desenfreadas, Scott Westerfeld imagina um futuro distópico assustadoramente plausível e, ainda assim, deliciosamente inovador.