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    A Máquina Consciencial - Contos de Ficção Científica

    Jon O'Brien, Pedroom Lanne, Michel Chagas Aragão e Michael Chagas Aragão, Erick Soares Figueiredo

    Engenho das Palavras
    2019
    305 páginas
    10h 10m
    ISBN-10: B07S2NQHXY
    Português Brasileiro
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    Máquina Consciencial primordial que dá a luz à presente coletânea de contos é o cérebro humano, o cérebro que comporta nossa consciência, do leitor que se debruça sobre estas palavras, e dos escritores que as redigiram. É a partir desta fabulosa máquina que igualmente portamos, que nos permite refletir sobre ela própria, sobre o poder que hoje nos habilita pensar; o poder que, o futuro, nos permitirá alcançar. Ou será que não? Entre utopias e distopias, entre um sonho ou um delírio consciente, entre o sim e o não — o zero e o um da linguagem binária —, jaz o substrato pensante desta máquina revisada pela consciência dos autores que se elenca. Muito mais que meros contos de ficção-científica, a coletânea que se apresenta reflete a inquietação que o mundo tecnológico a nossa volta nos desperta quando a Internet, as mídias sociais e a inteligência artificial, ainda que muito incipiente, já promovem árduas mudanças nas relações humanas, tanto entre si, quanto com as máquinas. Não obstante, permite vislumbrar paradigmas que há pouco tempo, sim, se transpareciam como a ficção que a presente obra convida visionar. Pedroom Lanne (prefácio). O som era alto – muito alto. Por isso, há muitos anos ninguém mais se ouvia. O céu – nebuloso e cinza – anunciava as últimas lembranças do que foi – um dia – o planeta. A monstruosa máquina que transformava energia magmática em energia elétrica havia entrado em colapso e desligado todas as comunicações com o exterior. Os engenheiros e técnicos não conseguiram se aproximar para desligá-la, pois ela passou a liberar enormes quantidades de calor que vazava por fendas e tubos. Nenhuma explicação foi dada para o estridente som que ela passou a emitir. Desde a primeira desaceleração, quando as autoridades começaram a dar atenção aos ecologistas, cientistas e meteorologistas, os carros e qualquer maquinário que poluísse a atmosfera foram proibidos de transitar. Mas, na última desaceleração, qualquer cidadão por mais que tentasse se enganar com teorias messiânicas, já estava consciente de que o fim chegara. Conforme a atmosfera se aquecia, os glaciares derretiam e as águas invadiam as cidades costeiras levando a população a subir para as montanhas na esperança da salvação. O alimento escasseava na medida em que a fotossíntese cessava. Primeiro desapareceram os herbívoros, depois seus predadores se extinguiram. Não demorou muito para o canibalismo se instalar e tornar-se fato corriqueiro. Mas, com o escurecimento e aumento da umidade, as doenças endêmicas viraram epidemias que se espalharam rapidamente entre as populações mais suscetíveis. Os mais fracos morriam primeiro, os mais fortes foram resistindo e mudando sua forma e funcionamento com o passar dos séculos. Nós que já fomos humanos (Miranda May) Sempre fui uma seguidora da lógica. Acreditava piamente no conhecimento como o único meio de evoluir. A razão, ao meu ver, quebrava preconceitos, desvelava verdades e determinava evoluções socioculturais. Eu sabia qual era meu papel na sociedade, e sabia o que esperar dela. Eu me negava a crer em teorias conspiratórias, a menos que houvessem evidências que as provassem. Para mim, o que chamavam de intuição era na verdade um mecanismo cerebral que captava detalhes de forma inconsciente e os transformava em posicionamentos que nos salvavam de inúmeras situações e pessoas nocivas. Meu mundo estava completo. Cada coisa em seu devido lugar. O amor em conexão com a razão, e a razão em conexão com a felicidade. E tudo real e meu. Foi quando aconteceu algo que mudou minha visão dos fatos, algo que me fez perceber que nem sempre o que se vê é real. Que nossa percepção falha, que nossa realidade é enganosa. E que o coração, mesmo que você não queira, às vezes vence a razão por nocaute. O Não-Humano (Brunna Brasil)

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    Jon O'Brien profile picture

    Jon O'Brien

    Autor nascido em 1998 na cidade de São Paulo, onde reside atualmente, e fascinado por histórias que misturam o suspense e o drama, usa este pseudônimo para escrever romances e contos nesses gêneros. Além disso, escreve poesia em qualquer momento que surge uma ideia e julga a escrita como a ferramenta que salvou sua vida. Hoje, ela é tão natural quanto respirar. Até o momento tem quase 30 participações em antologias diversas de prosa e poesia. É autor da coletânea de poemas de dor e cura Cara Melancolia, e coautor do livro de contos e crônicas Converse com Seus Demônios. Cursou Preparação e Revisão de Textos pela Casa Educação, estuda Letras - Língua Portuguesa e é membro da ABERST.

    45 Livros
    20 Seguidores
    São Paulo , Brasil

    Jon O'Brien