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    Três contos (Coleção Fábula) -

    Gustave Flaubert, Milton Hatoum

    Editora 34
    2019
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788573267365
    Português Brasileiro
    4.3
    114 avaliações
    Leram165Lendo8Querem159Relendo0Abandonos2Resenhas16
    Favoritos11Desejados159Avaliaram114

    Os Três contos de Gustave Flaubert (1821-1880) constituem um dos pontos mais altos da literatura francesa. Ao retornar a temas, figuras e paisagens que o acompanhavam desde a juventude, o autor de Madame Bovary destilou uma suma de sua obra nas breves páginas deste último livro que che­gou a completar. Seja narrando o meio século de servidão de uma criada em "Um coração simples", seja desdobrando a ta­peçaria alucinada da "Legenda de São Julião Hospitaleiro" ou ainda reinventando um episódio bíblico em "Herodíade", Flaubert levou a arte da ficção a territórios ainda pouco explorados. Seu contemporâneo Henry James não tardou a ver "um elemento de perfeição" neste livro de 1877; e o próprio Flaubert, a meio caminho de sua redação, confi­denciou numa carta: "Tenho a impressão de que a Prosa francesa pode chegar a uma beleza de que mal se faz ideia". Escritos ao fim da vida, quando o autor se via à beira de uma crise nervosa e criativa, os Três contos de Gustave Flaubert constituem um dos pontos mais altos da literatura francesa do século XIX. Ao retornar a temas, figuras e paisagens que o acompanhavam desde a juventude, Flaubert destilou uma suma de sua obra nas breves páginas do último livro que che­gou a completar. Aqui estão a Normandia natal e o Oriente que o fascinava; a gente provinciana e os personagens ímpa­res, os medíocres de todo dia e os santos de exceção; o cálculo mesquinho e o arrebatamento bestial; o realismo implacável e o voo visionário. Seja narrando o meio século de servidão de uma criada em "Um coração simples", seja desdobrando a ta­peçaria alucinada da "Legenda de São Julião Hospitaleiro" ou ainda reinventando um episódio bíblico em "Herodíade", Flaubert levou a arte da ficção a extremos e territórios pouco explorados. Seu con temporâneo Henry James não tardou a ver "um elemento de perfeição" neste livro de 1877; e o próprio Flaubert, a meio caminho da redação destes Três contos, confi­denciava numa carta: "Tenho a impressão de que a Prosa francesa pode chegar a uma beleza de que mal se faz ideia".

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    Carlos Nunes25/07/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Indiscutivelmente, uma obra-prima

    Depois de me maravilhar com a escrita de Flaubert em MADAME BOVARY, a experiência se repetiu com os três contos desse livrinho, que pode ser ao mesmo tempo uma ótima porta de entrada para conhecer a obra do autor como um tira-teima para quem não gostou de MADAME BOVARY (que não não são poucos, principalmente os que se prendem apenas à trama). Em UM CORAÇÃO SIMPLES, acompanhamos a vida de uma criada, simples, ingênua, mas dona de uma imensa necessidade de amar - seja os filhos da patroa, parentes aproveitadores ou um simples papagaio. A LENDA DE SÃO JULIÃO HOSPITALEIRO é uma biografia de um santo medieval - inspirada pelos vitrais da catedral da Rouen natal do escritor - mas tão rica e vivamente narrada que pode causar bastante incômodo aos amantes de animais, pelas cenas de caçada. A jornada de transformação de um nobre cruel em um eremita que tem seu amor ao próximo testado até o limite é maravilhosamente narrada e tem um dos finais mais sensíveis que eu já vi. Por fim, a tão conhecida história bíblica da morte de São João Batista é recontada magistralmente em HERODÍADES, mas inserida em um contexto sociopolítico que traz toda uma nova visão da situação. Um trio de contos que faz jus totalmente à fama do autor como um dos precursores do realismo francês.

    28 curtidas

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    Avaliações

    4.3 / 114
    • 5 estrelas39%
    • 4 estrelas42%
    • 3 estrelas19%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Gustave Flaubert profile picture

    Gustave Flaubert

    "Madame Bovary sou eu", disse Gustave Flaubert quando os juízes lhe perguntaram quem teria sido o modelo da sua personagem, durante o seu julgamento, em 1856. Ele foi acusado pelo governo francês de ter escrito uma "obra execrável sob o ponto de vista moral". Mas foi absolvido pela Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena, em Paris, em fevereiro de 1857. Resultado de cinco anos de trabalho, seu romance de estréia, "Madame Bovary", é uma dura depreciação dos valores burgueses. Segundo alguns críticos conservadores, Flaubert ridicularizou sua própria condição social. Afinal, o autor era filho de um médico provinciano rico e vivia de rendas em sua idade adulta na propriedade rural do pai. A história de Emma Bovary, que trai o marido para fugir da vida medíocre, é um retrato da incapacidade mental, emocional e moral das sociedades provincianas. Flaubert se dizia um estudioso da estupidez humana e colecionava episódios de burrice publicados em livros e jornais. Para ele, estupidez era mais freqüente na província. A falta de inteligência também foi o tema de "A Tentação de Santo Antão" (1874). Em 1840, como prêmio por ter concluído os estudos secundários, ganhou uma viagem para os montes Pirineus e para a ilha de Córsega. Ao passar por Marselha, viveu um namoro com Eulália Foucaud de Langlade. O idílio foi inspiração para a obra "A Educação Sentimental" (1869). Entre 1849 e 1851, o autor viajou para a África, onde colheu informações para "Salambô" (1862), sobre a queda de Cartago. Flaubert foi um dos autores mais importantes do Realismo, movimento estético de reação ao Romantismo europeu no século 19, influenciado pelas teorias científicas, a Revolução industrial e a linha filosófica de Augusto Comte (o Positivismo). Ele levou à perfeição o ideal do romance realista de harmonizar a arte e a realidade. Sua obra se caracteriza pelo cuidado na sintaxe, na escolha do vocabulário e na estrutura do enredo. Em 1866, recebeu a Legião de Honra do governo francês. Pouco antes de sua morte, vendeu propriedades para evitar a falência do marido de sua sobrinha. Passou a viver de um salário como conservador da Biblioteca Mazarine. O romance "Bouvard et Pécuchet" foi publicado inacabado, postumamente.

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    Gustave Flaubert