De quando éramos iguais -

    Eduardo Sens

    Editora Penalux
    2019
    140 páginas
    4h 40m
    ISBN-13: 9788558335065
    Português Brasileiro

    SINOPSE: No centésimo quinto júri da sua carreira, o promotor responsável pela acusação reconhece no banco dos réus um amigo de infância. Sem ter como voltar atrás, e atordoado com a revelação, ele decide seguir no caso, quando então rememora um episódio marcante da sua infância: a morte de um funcionário da escola, que tem mais a revelar sobre si mesmo do que ele jamais imaginaria. * A ética da alteridade aparece em cada linha e a narrativa é objetiva e pontual. Falar de injustiça é mesmo falar do humano. – Andréa Pachá, escritora, juíza de direito * Um livro primoroso. Não me recordo de ter visto nada semelhante. – Enéas Athanázio, escritor * Fazia muito tempo que eu não sentia tanta emoção ao ler um livro. Simplesmente maravilhoso. Já são 09h40 de segunda-feira e eu ainda continuo naquele tribunal do júri. E acho que vou levar muito tempo pedindo perdão ao Tainho. – Aristeu Xenofontes Lenzi, promotor de justiça

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    Usuário excluído27/04/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Deus me livre, pensei: ter um amigo de infância como réu deve ser terrível."

    Um promotor de justiça com seus 42 anos ia para o seu centésimo quinto júri. Era um caso de homicídio, onde a vítima, que era um pai de família, tinha sido brutalmente assassinado por espancamento e havia apenas um suspeito. Para o promotor o caso já estava ganho, o suspeito seria condenado a pelo menos doze anos de prisão. Mas tinha algo que ele não esperava. Assim que o suspeito entrou no tribunal, na hora o promotor o reconheceu, era Tainho, seu melhor amigo de infância. Então ele começou a ter algumas lembranças de sua infância, quando ele e Tainho brincavam na rua, quando roubavam goiabas da casa do vizinho e também a diferença social deles. Enquanto ele vivia em uma casa confortável, estudava em uma escola particular e até sabia inglês, Tainho morava na favela com seus irmãos, não sabia nem se ele estudava e provavelmente as goiabas que eles roubavam era uma das únicas coisas que Tainho iria comer naquele dia. Também veio a lembrança de alguns anos atrás, quando aconteceu um episódio na sua escola, onde a vítima era o zelador e talvez ele fosse o culpado. O promotor até chegou a pensar que Tainho poderia estar sentado ao seu lado naquela hora, mas com essa diferença social, as chances eram mínimas. "Aposto o que você quiser que não há mãe que condene o próprio filho à cadeia." Quando ele começou a ter essas lembranças, pensou na hipótese de abandonar o tribunal, pedir para que outro promotor ficasse no seu lugar, ainda tinha tempo, ele não estava se sentindo muito bem, mas aí ele lembra que faziam trinta anos que os dois não se viam e que amigos de verdade não passavam todo esse tempo sem se falar, e na verdade eles nem era tão amigos assim, eles apenas brincavam juntos na rua. Então ele decide continuar, mesmo sendo difícil, ele vai até o fim para colocar ele atrás da grades. Mas será que era ele mesmo que havia matado aquele homem? Esse é um livro com uma história bem interessante, achei legal porque mostra como funciona um júri e quais são as etapas até a absolvição ou condenação do réu. O livro é narrado em primeira pessoa, então temos várias lembranças da infância do protagonista, seus pensamentos e sentimentos. Teve algumas coisas que não gostei muito, a primeira é que eu imaginava que a história seria sobre o julgamento, teria algumas lembranças do protagonista, mas o foco principal seria o julgamento. Mas não foi bem assim, a maior parte do livro são de lembranças do protagonista, por conta disso, algumas partes ficaram um pouco cansativas e as partes que realmente me interessavam eram as do julgamento. Outra coisa foi o desfecho que não teve, não sei se vai ter um segundo volume, algo que eu acho um pouco sem sentido, porque não consigo imaginar uma continuação, ou se foi algo proposital do autor, de deixar a interpretação e o julgamento com o leitor. Eu achei o livro legal, a história diferente, mas não me cativou. "Escondo meus olhos, prestes a se inundarem. Fechá-los é pior, transbordariam."

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