John Cricket... Li por curiosidade sobre um comentário de Suassuna.
Li Captains of the Sands em inglês para conferir a compatibilidade com a versão em português, e o que encontrei foram algumas nuances interessantes. No original, Jorge Amado narra a vida dos meninos de rua da Bahia com uma crueza que é suavizada na tradução para o inglês. A tradução do título, Captains of the Sands, também perde um pouco da profundidade da palavra "captains" no contexto social brasileiro. Como Amado escreveu: "Os meninos, cheios de vida e de sonhos, são chamados de bandidos, mas o que mais poderiam ser numa sociedade que os despreza?" Essa frase encapsula a brutalidade da realidade que eles vivem e a crítica ao sistema que os marginaliza. Uma das curiosidades que encontrei é a adaptação das interjeições e gírias, que, em português, são muito mais vivas e regionais. Em inglês, houve a tentativa de manter o tom, mas certas expressões perderam parte do significado profundo que têm em um contexto cultural brasileiro. Além disso, o caráter social do livro, que critica as desigualdades e as dificuldades das crianças de rua na Bahia, ganha mais força na versão em português, onde a riqueza das emoções e a crítica social de Amado são mais evidentes. Uma observação que me chamou a atenção é que, ao ler em inglês, o livro parece se distanciar um pouco da dureza da realidade brasileira, suavizando alguns aspectos da violência e da miséria. Na versão pt-br, Jorge Amado não hesita em nos mostrar o lado cruel da vida de rua e a luta pela sobrevivência de seus personagens, como o capitão do grupo de meninos, que tenta manter a honra e a humanidade em meio ao caos. A tradução falhou em capturar a energia rebelde da linguagem baiana que Amado tão bem utiliza para expressar as diferenças sociais. Mesmo assim, o livro permanece uma poderosa denúncia da desigualdade e da exclusão social. A capa em inglês, com uma arte mais suave, não transmite a mesma vibração da versão brasileira, onde a capa mais intensa chama a atenção para o peso das palavras e a dureza do tema. O livro, para mim, tem a classificação indicativa de 14 anos devido aos temas de violência, pobreza e marginalização que são abordados de maneira direta e sem rodeios.

