Ética bixa - Proclamações libertárias para uma militância LGBTQ

    Paco Vidarte

    n-1 edições
    2019
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788566943801
    Português Brasileiro

    Escrevi este livro em menos de três semanas. Isto quer dizer que talvez fosse melhor não o ter publicado e pensar as coisas mais um pouco. Mas se ele chegou até você é porque mais alguém além de mim, inclusive a editora e alguns amigos que costumam me aconselhar bem, deve tê-lo achado interessante, divertido, oportuno ou que vale a pena, por algum motivo que não imagino qual seja. Há ocasiões em que acredito que essas linhas são muito individuais, que são apenas uma revolta minha, um desabafo diante do que está caindo, sem o menor interesse teórico, a não ser a necessidade que pode haver no movimento LGBTQ de compartilhar frustrações, raivas, ódios, a necessidade urgente de fazer algo, a sensação de esgotamento de nossos coletivos, dos dirigentes e das teses oficialistas, a certeza de que ficamos muito tempo no fundo do poço e de que as mudanças legais produzidas no nosso país vão sepultar, paralisar a nossa luta ou deixá-la a ver navios, em vez de potencializá-la e reativá-la.

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    Júlia16/07/2025Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    "Se algo assim como uma Ética LGBTQ é pensável e desejável, ela deve partir do fato de que a luta contra a homofobia não pode acontecer isoladamente, abstraindo-se o resto das injustiças sociais e discriminações, mas que a luta contra a homofobia só é possível e realmente eficaz dentro de uma constelação de lutas conjuntas solidárias contra qualquer forma de opressão, marginalização, perseguição e discriminação. Repito: não por caridade. Não porque nos exijam ser melhores do que ninguém. Não porque tenhamos que ser Superbixas. Mas porque a homofobia, como forma sistêmica de opressão, compõe uma trama muito fechada com as demais formas de opressão, está imbricada com elas, articulada com elas de modo que, se alguém puxa de um lado, o nó se aperta do outro lado, e se afrouxa um fio, puxa outro. O objetivo de toda a luta contra a homofobia, contra o racismo ou contra a misoginia, por exemplo, é a não discriminação dos oprimidos sistemicamente por qualquer causa. Na medida em que todos e cada um de nós pertencemos a vários grupos, estratos, minorias, maiorias sociais com maior ou menor poder e privilégios, podemos exercer condutas de pressão, de controle, de marginalização ou sofrer perseguição, assédio, maltrato ou agressão. Todos somos ao mesmo tempo marginalizados e opressores."

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