Guerra e Paz por Leon Tolstói
Tradução de Oscar Mendes
Editora @garniereditora
Título original: Voina i Mir
Presente de Natal da minha irmã Patricia que se recusa a ter instagram. Guerra e Paz é um romance sobre a nobreza russa durante as invasões napoleônicas. Me ajudou muito o conhecimento acerca dos personagens a leitura prévia de biografia política de Napoleão.
Chamou-me atenção o amor do autor por sua pátria, o que é próprio da época em que viveu. Sua defesa apaixonada do general Kutuzov, como um homem que evitou batalhas "por princípios cristãos", e sua crítica ferrenha a Napoleão Bonaparte, que, ora diz que o que este conquistou não foi por sua inteligência, mas pelo ímpeto do povo francês, ora diz que o que conquistou foi por sorte na estratégia adotada.
No que o autor traz sobre a ciência História, em parte concordei. Realmente os eventos históricos não podem ser determinados por uma única figura. Napoleão não existiria se antes, da burguesia chegar ao poder. Esta não teria chegado lá se não fosse pelo levante do povo que estava com fome. O povo não teria fome se não fosse por conta da perda da safra e por aí vai. Desconsiderando ainda muitos outros fatores para não alongar-me demais.
Este culto ao líder é necessário dentro da dinâmica sistemática para manutenção do status quo, pois fica se esperando sempre um líder, esquecendo-se da ação direta e espontânea e da responsabilidade pessoal do cidadão dentro de uma democracia que se faz tanto pelas vias diretas quanto indiretas.
As reflexões de Orwell no livro sobre 1984 sobre a Hitória como ferramenta de controle é óbvia: "Who controls the past controls the future: who controls the present controls the past". A ação russa para a derrocada tanto das invasões napoleônicas quanto das invasões nazistas foram varridas da história praticamente. Aqueles que controlam a narrativa, controlam a história. Este é o verdadeiro poder e porque é tão importante o trabalho da Comissão da Verdade.