“Ele terá um ponto de vista diferente, e eu também terei um ponto de vista diferente. Porém, podemos falar, e quando chegarmos ao problema de Deus, cada um apresenta sua escolha. Mas ouvindo o outro com respeito.” Quando o argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito Papa em 2013 eu vivia um período de transição e descobrimento na minha própria religiosidade. Minha família sempre foi muito católica e eu, até aquele momento, frequentava as missas e seguia a fé católica com relativo comprometimento. Com o tempo, porém, muitas perguntas que eu tinha não eram respondidas satisfatoriamente pela Igreja, o que me fez buscar outros caminhos e outras manifestações religiosas para encontrar as respostas aos meus questionamentos. Ainda assim, em meio ao turbilhão de sentimentos, vi no Papa Francisco uma figura diferente de tudo que já havia visto antes. Cresci parte com um João Paulo II já muito debilitado e no final de seu papado parte com um Bento XVI rígido, frio e que guardava muito do seu trabalho como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Francisco era diferente. A começar pelo nome, curioso até certo ponto quando se trata de um jesuíta, o primeiro papa latino-americano sempre carregou uma aura de humildade e simplicidade como não se via nos tempos recentes da Igreja Católica. Um homem que era caloroso, amigo, próximo e que não gostava de ostentações, ouros e brilhos. Mesmo não sendo mais católico gosto de entender ritualísticas e liturgias, bem como a história e a origem de todas as religiões. Então, nada mais natural que o interesse pelo livro que narra uma série de entrevistas do Papa Francisco com o sociólogo francês Dominique Wolton. Ao longo de 12 encontros conhecemos a opinião e a visão do Papa sobre diversos assuntos, principalmente sobre a relação da Igreja com a política e com conflitos sociais atuais. A relação com ateus e outras religiões também é um ponto forte do livro e demonstra como Francisco é notadamente um líder diferenciado, construtor de pontes e não de muros, como ele mesmo diz. “O futuro da fé” é uma pincelada de uma das figuras mais notáveis e incríveis de nosso tempo, independente da fé que professamos.
