O livro conta a história de Lilian, que desde criança desenvolve uma relação com comida desde criança. Ela cresceu sem pai, com isso sua mãe afundou num mundo de livros e praticamente esqueceu que tinha uma filha e uma casa, então a pequena teve que assumir todas essas responsabilidades, além de tentar "trazer sua mãe de volta". Lilian começa a testar receitas e consegue ao menos que a mãe converse com ela, enfim. No início, a narradora falava tanto dos temperos e tal, de memórias, que me lembrou aquelas pessoas que enxergam cores em palavras, sabe? E eu achei que o livro seria sobre isso, mas não tem nada a ver haha. Quando Lilian cresceu, ela abriu um restaurante, mas não achou o suficiente e passou a dar aulas de culinária, que aconteciam uma vez por mês, sempre nas segundas à noite. E é sobre isso que a história conta. Cada capítulo é narrado por um aluno que vai contar como foi parar naquela aula e além disso, cada um narra uma semana diferente do curso. A história pretende entrelaçar presente, passado e comida. o que por vezes me deu a impressão de ser um pouco forçada essa construção. Acontece de a narração ser cortada para entrar uma "cena" de Lilian dando aula, e ficar mais tempo do que eu gostaria falando sobre comida e tempero, etc. Muitas vezes tive a sensação de que a lembrança dos personagens não tinha muito a ver com o tema da aula do dia, e meio forçado mesmo a pessoa estar aprendendo a cozinhar e a partir disso questionar sua vida inteira, casamento e tal. Achei também os capítulos bem soltos uns dos outros, pois o personagem narrava seu passado, a relação com a refeição do dia, mas eles não interagiam muito entre si, eles não desenvolviam relações pessoais. Você sabe que todos continuam até o fim do curso, mas não sabe o que acontece na vida pessoal de cada um deles. E talvez por isso eu tenha achado um livro tão longo, tão sem fim. Acabei não gostando da narrativa e da dinâmica. Pra mim não funcionou.