O amor não está -

    Jovina Souza

    Omnira
    2019
    84 páginas
    2h 48m
    ISBN-13: 9788587066640
    Português Brasileiro

    A obra tem apresentação da professora Dejanira Rainha e orelhas do também professor do IFPB - Dr. João Edson Rufino, a obra vem com 10 ilustrações do artista plástico cabo-verdiano Moutafa Assem, além da capa onde sempre focou retratar a procura desse Amor, que segundo Jovina Souza ele não está. São 54 poemas carregado de mistérios e envolto nas artimanhas reveladas do Amor, contados pela autora de maneira a que se percebam realmente o que é o amor na vida das pessoas e do que ele é capaz. Jovina Souza é autora dos livros “Agdá” e “No Caminho das Estações” ambos pela Editora Mondrongo/Itabuna-BA; tem participações em antologias e coletâneas, dentre elas, a reconhecida publicação “Cadernos Negros” do Grupo Quilomhboje/SP e a coletânea poética “Com Amor & Luta” um livro da Editora Òmnira/BA-Brasil com a participação de poetas brasileiros e angolanos; além de exercer importante papel dentro da militância negra de luta contra o racismo e o extermínio do povo preto da periferia, usando a sua poesia para dar um basta nas indiferenças, nas discriminações veladas e nas facetas desse sistema corrompido pela sociedade elitista e exterminadora de minorias.

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    Valdeck Almeida de Jesus20/06/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O amor não está?

    A poesia de Jovina Souza é contundente, incisiva, desconcertante. Seus versos e estrofes não acalentam, não abraçam! Pelo menos aquele acalento e abraço colonial, social, de fachada. As letras e as entrelinha nos tiram do lugar comum, de meros leitores, para coautores de uma luta ancestral, que denuncia, sem papas na língua, as violências sofridas por negros e negras na Diáspora. Chamam a cada um(a) à sua responsabilidade, à razão, à cena da batalha. São poemas que falam de amor, sim, mas um amor ausente, sanguinário, deturpado, genocida, de colonizadores, que se fingem de amorosos, para nos dilacerar a pele, queimar memórias e destruir afetividades. Poemas-Denúncias! Poemas-Justiças! A poeta Gleise Sousa, do Grupo Recital Ágape, no poema "A Poesia Cria Asas", verseja "A nossa poesia não foi feita pra burguês gostar,/ Porque é um grito de insatisfação,/ a intenção é incomodar" (...), bem cabe aqui, parafraseando, eu diria que "os versos de Jovina Souza não são para racistas/colonialistas gostarem", pelo contrário, é soco no estômago, para tomada de consciência ou para partirem a mil. Leitura obrigatória, não só dos livros, mas das falas da poeta quando instada em saraus, eventos literários e que tais. A poesia joviniana traça sua rota na produção literária baiana, com marcas fortes e identidade bem definida. Uma poesia cujo traçado se impõe, pela qualidade, cuidado, veemência, compromisso!

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