Deixa a Chuva Cair (Serpente Emplumada) -

    Paul Bowles

    Quetzal Editores
    2018
    360 páginas
    12h 0m
    ISBN-13: 9789897225185

    Nelson Dyar, um jovem americano cansado da monotonia da sua vida de empregado bancário, chega, depois da Segunda Guerra Mundial, à Zona Internacional de Tânger para começar uma nova vida. Wilcox, um vago conhecimento de infância, oferecera-lhe emprego na sua agência de viagens. Transposto para um meio que lhe é totalmente estranho, Dyar vagueia perdido entre os salões dos residentes ocidentais e os bares e bordéis da casbá e entre as duas culturas - a árabe e a ocidental -, sem compreender nenhuma das duas. Paul Bowles retrata as figuras dessa sociedade que tão bem conheceu e inclui mesmo uma caricatura de si próprio. Dyar é, no entanto, uma personagem totalmente inventada. Um zé-ninguém, uma vítima, como ele próprio se descreve, com uma personalidade que se define apenas em termos da situação, alguém que nunca viveu. Retirado do ambiente ordenado em que existira até então, Dyar não consegue interpretar as reações daqueles com quem se cruza: Hadija, a pequena prostituta, a terrível Eunice Goode, Thami, o contrabandista árabe que faz a ponte entre os salões do palácio dos Beidaoui e os bares da casbá, Daisy de Valverde, Wilcox, com os seus negócios escuros, Madame Jouvenon e a espionagem, os berberes e o povo das montanhas, a população dos bairros indígenas e os cambistas judeus. A chuva cai incessante, transformando em rios as ruelas da casbá e marcando as alterações do estado de espírito de Dyar. Se o céu do romance O Céu que Nos Protege era vasto e azul, o céu de Deixa a Chuva Cair, também omnipresente, é opressivo e escuro. A chuva que teima em cair, as nuvens que se acumulam, as ondas do estreito de Gibraltar, o vento que assobia e faz bater a porta da cabana nas montanhas acompanham o percurso de Dyar até ao abismo inevitável.

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    Karina Zulauf Tironi26/08/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Resenha - Que Venha a Tempestade

    Gostei bastante, apesar de preferir o outro livro do autor (O Céu que nos Protege), porque o personagem principal deste, Dyar, é bastante paranoico e mal-humorado, tornando a leitura um pouco arrastada. Além disso, ele divaga em muitos momentos, com exagero, o que já percebi ser uma característica que o autor gosta de incluir em alguns de seus personagens. Às vezes a linha de pensamento se perde um pouco e as coisas parecem sair dos trilhos, fica difícil de acompanhar e, com frequência, me senti irritada com tanta racionalização. Mas, de forma geral, achei a história interessante, a descrição da Tânger de 1949, de culturas e personagens tão diferentes dos que estamos acostumados. O final me pegou muito desprevenida, e achei que foi ótimo, pois como o próprio Dyar parecia sempre estar na dúvida se estava existindo ou não, se era vítima da própria existência, o acontecimento das últimas páginas o coloca, finalmente, como protagonista da própria vida, seja ela boa ou ruim.

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