Ezra Pound- ensaios
Escrito numa prosa fluida, clara, elegante, inteligente. Ensaios que tratam aquilo que se propõem, avaliar o valor literário de determinados autores sem papas na língua, seja Lawrence, Joyce, Elliot, Yeats, Flaubert, e outros pelo caminho. Trata-se de uma crítica global sobre o trabalho de diversos autores, a forma como encaixam na tradição, a valorizam, inovam, a vitalidade da sua escrita tomando novos caminhos, a capacidade de representarem na sua escrita o homem contemporâneo com genuinidade, gestos autênticos e realistas. Pound fundamenta as suas asserções numa visão sobre a literatura e sobre o papel da crítica. Percebe-se que o preocupa a contemporaneidade, os autores que foram capazes de agarrar o que o seu tempo tem de único, mesmo que a nível local, como a fala da linguagem dos bosques. No fundo, como diz, toda a arte é realista. Realista porque retrata gestos autênticos, os tais homens em mangas de camisa, o real está sempre presente na descrição, nas falas, no comportamento. Ezra Pound possui um enorme conhecimento sobre os autores que analisa e sobre a história da literatura, relacionando a literatura com a autenticidade e complexidade do fenómeno humano. Daí a sua apologia de Flaubert, Joyce, Eliot, Yeats. Um livro escrito numa prosa elegante, directa, coloquial, com humor. Livro de grande elegância.
